Justiça é lenta, diz Thomaz Bastos

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, reforçou nesta terça-feira as críticas à morosidade do Poder Judiciário na análise de processos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou na segunda-feira rapidez da Justiça na condenação dos administradores acusados de cometerem irregularidades com o dinheiro público. Thomaz Bastos, porém, preferiu não ser específico e disse que a Justiça no País é ?lenta mesmo? e precisa passar por ?uma reforma radical?. ?Eu acho que os processos (contra os administradores públicos acusados de corrupção) demoram como todos os processos demoram?, afirmou o ministro, após participar, no Palácio da Liberdade, da solenidade de assinatura do convênio de adesão do governo de Minas ao Plano Nacional de Segurança Pública. ?A Justiça brasileira é lenta mesmo e ela precisa se tornar mais rápida. Os próprios juizes reconhecem isso. E o nosso esforço, esforço de cooperação, esforço de parceria é no sentido detorná-la mais rápida e mais acessível. E que decifre mais os crimes e que dê solução aos processos?, continuou. A nova manifestação crítica do presidente em relação ao Judiciário ? desde quando afirmou, no mês passado, em Vitória (ES), que era preciso abrir a "caixa-preta" da Justiça ? voltou a provocar reação de magistrados como os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nilson Naves. Eles lamentaram a sugestão feita por Lula de que o Judiciárioengaveta processos.Thomaz Bastos salientou que tem ?grande respeito? pelo Poder. ?Mas isso não nos impede de reconhecer que a Justiça brasileira está muito longe de ser aquela Justiça com que todos nós sonhamos, que é uma Justiça rápida, uma Justiça mais barata e uma Justiça mais perto do povo?.O ministro aproveitou para reafirmar a intenção do governo federal de promover um reforma no Judiciário, lembrando a criação, no âmbito de sua pasta, de uma secretaria para tratar especificamente do assunto.?Nós estamos fazendo um trabalho grande de articulação com ostribunais superiores para encontrar os nossos pontos de diferença, mas também os nossos pontos de contato e de apoio e nós vamos fazer isso. Eu acredito que a Justiça brasileira precisa de uma reforma radical?, disse.

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