Karel Navarro/AP
Karel Navarro/AP

MP do Peru abre investigação contra ex-presidente por caso Odebrecht

Alejandro Toledo teria recebido US$ 20 milhões de propina da empreiteira brasileira; político nega acusações

O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2017 | 01h41

LIMA - O Ministério Público do Peru formalizou nesta segunda-feira, 6, o pedido de investigação contra o ex-presidente do país Alejandro Toledo por suspeita de lavagem de dinheiro e tráfico de influências. O político é acusado de receber subornos milionários da Odebrecht em um caso de corrupção que ameaça sacudir a elite política do país.

Trata-se do primeiro caso em que a gigantesca investigação originada no Brasil, e que se multiplicou em diversos países da América Latina, investiga de maneira direta um ex-presidente peruano pela suposta recepção de propinas para permitir que o poderoso conglomerado de construção ganhasse licitações de obras públicas. Desde dezembro de 2016, um total de 77 executivos da empreiteira delataram subornos em países latino-americanos e na África.

Segundo as leis peruanas, o juiz terá de escutar as argumentações do procurador anticorrupção, Hamilton Castro, para aceitar ou negar a solicitação nas próximas 48 horas.

A procuradoria investiga o ex-presidente pelo suposto recebimento de subornos da Odebrecht da ordem de US$ 20 milhões. A empreiteira teria pago a propina para receber a outorga da construção da Estrada do Pacífico, projeto que pretende lugar a costa do Pacífico peruano ao Brasil. A confissão foi feita por Jorge Barata, ex-representante da empresa no Peru.

Os promotores investigarão ainda as relações de Toledo com o empresário israelense Josef Maiman e com Barata. Há a suspeita de lavagem de dinheiro.

No domingo, 5, Toledo negou em uma entrevista à América TV qualquer suborno e exigiu que Barata diga "quando, como, onde e em que banco deu US$ 20 milhões a mim". Atualmente em Paris, o ex-presidente peruano afirmou que pretende retornar à Universidade de Stanford, na Califórnia, onde é pesquisador convidado.

Na madrugada de sábado, 4, uma equipe da procuradoria levou um cofre de sua casa, em um bairro nobre de Lima.

Toledo, de 70 anos, saiu da pobreza e se graduou em economia em Stanford. Ele chegou ao poder em 2001 empunhando a bandeira da luta contra a corrupção e se destacou como forte opositor do ex-ditador Alberto Fujimori, que fugiu do país para o Japão em 2000 e renunciou posteriormente. Fujimori cumpre sentença de 25 anos por corrupção e assassinato.

Em dezembro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que a Odebrecht reconheceu ter pago subornos de US$ 29 milhões a funcionários peruanos para ganhar licitações de obras públicas. Os delitos também teriam ocorrido nos governos posteriores a Toledo: Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

Até o momento, outros quatro peruanos ligados ao governo de Alan García, entre eles um ex-vice-ministro, estão detidos por implicações no caso Odebrecht.

A ministra da Justiça, Marisol Pérez Tello, disse ao jornal local Correo que está preparada para encarcerar ex-presidentes, caso seja preciso. "Eu espero de verdade que não, porém que assim for necessário, estamos preparados", afirmou, em relação ao caso de Toledo.

O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, que foi ministro da economia e primeiro-ministro do gabinete de Toledo, disse no sábado que o ex-presidente "traiu o povo peruano" e deve "regressar ao Peru e responder às perguntas da Justiça". / AP

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