Joka Madruga/Futura Press
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Justiça do Paraná abre ação penal contra ex-assessor de Beto Richa

Empresário apontado como homem influente do governo tucano é acusado de fraudar contrato no Estado

CATARINA SCORTECCI / CURITIBA , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

01 Abril 2015 | 02h02

A Justiça do Paraná abriu anteontem ação penal contra o empresário Luiz Abi Antoun, parente do governador Beto Richa e ex-assessor parlamentar do tucano.

Considerado um dos nomes mais influentes na gestão de Richa, ainda que não tenha cargo público, o empresário e outras seis pessoas são acusadas pelo Ministério Público de montar um esquema criminoso para obter um contrato emergencial de R$ 1,5 milhão com o governo do Estado. Eles agora respondem por organização criminosa, falsidade ideológica e fraude em licitação.

O contrato em questão foi assinado no final do ano passado com o Departamento de Transporte Oficial do Estado (Deto), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Administração e Previdência. O diretor do Deto na época, Ernani Augusto Delicato, também se tornou réu no caso.

O grupo, segundo a denúncia, fraudou todo o procedimento de cotação de preços para garantir que a empresa Providence Auto Center ganhasse o serviço de manutenção e conserto da frota de veículos da região de Londrina. A empresa chegou a prestar o serviço por cerca de três meses, mas o governo estadual rompeu o contrato logo após a revelação do caso pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, no último dia 16. Numa operação batizada de Voldemort, em referência à atuação Abi nos bastidores do governo estadual (mais informações no texto acima), o Gaeco também cumpriu naquele dia 13 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de conduções coercitivas (para tomada de declarações no Gaeco).

O advogado de Abi, Antonio Carlos Coelho Mendes, disse que discutirá a questão apenas no âmbito do Judiciário, e não na imprensa. A reportagem não conseguiu contato com Delicato. O governo do Estado informou que apura o caso internamente.

Delação. As suspeitas sobre a ação de Abi nos bastidores do governo ganharam força depois que parte do depoimento de um ex-funcionário do governo foi revelada. Marcelo Caramori, que tinha um cargo comissionado no Executivo até o início do ano, afirmou em delação premiada que Abi é "o grande caixa financeiro do governador Beto Richa, incumbindo-lhe bancar campanhas políticas e arrecadar dinheiro proveniente dos vários órgãos do Estado". O delator está preso em janeiro em Londrina por exploração sexual de menores.

Richa desqualificou o ex-assessor do Executivo. "Tem que ver até que ponto esse indivíduo tem credibilidade para falar alguma coisa", declarou. Ainda segundo o tucano, o PSDB vai interpelar judicialmente o ex-comissionado. "Todos os recursos das inúmeras campanhas que participei são de origem lícita", disse o tucano, segundo quem seu parentesco com Abi é distante.

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