Justiça do DF mantém Carlinhos Cachoeira em prisão

Em decisão, desembargador Sérgio Bittencourt, do TJDFT, alega que o contraventor é líder de organização com 'complexas relações ilícitas'

Iuri Pitta, de O Estado de S. Paulo,

16 Junho 2012 | 19h10

BRASÍLIA - O contraventor Carlinhos Cachoeira seguirá na penitenciária da Papuda, em Brasília, decidiu neste sábado, 16, o desembargador Sérgio Bittencourt, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Bittencourt rejeitou pedido de liberdade a Cachoeira, um dia depois de a defesa ter conseguido derrubar o decreto de prisão referente à Operação Monte Carlo, que investiga indícios de corrupção, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais em Goiás e no Distrito Federal. Cachoeira está preso desde o dia 29 de fevereiro.

 

A decisão de sexta-feira segue sem efeito prático com a rejeição do pedido de habeas corpus neste sábado, que, neste caso, dizia respeito à Operação Saint-Michel. A operação desbaratou um esquema voltado para fraudar licitação da bilhetagem eletrônica no transporte público do DF. O Estado não obteve retorno da defesa de Cachoeira.

 

“Não se pode olvidar o fato de as investigações mostrarem ser o paciente o líder de uma organização criminosa com complexas relações ilícitas, que envolvem autoridades de grande influência em Poderes da República, o que justifica a manutenção da prisão para a garantia da ordem pública”, alega Bittencourt na decisão.

 

Condições

 

Na última sexta-feira, o desembargador federal Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª região, concedeu liberdade ao contraventor – Neto também havia autorizado a transferência de Cachoeira do presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para Brasília, onde o esquema de segurança é menos rígido. Tourinho Neto impôs condições para a liberdade de Cachoeira, como a determinação de não manter contato com 23 pessoas, entre elas os governadores Agnelo Queiroz (PT-DF), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ).

 

Em maio, durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada para apurar suas conexões com políticos e empresários, Cachoeira disse “não” 48 vezes para deputados e senadores. “Não vou falar nada. Quem forçou para eu vir aqui foram os senhores”, disse na ocasião.

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