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Justiça determina saída dos sem-terra do Incra em Brasília

700 sem-terra da Fetraf invadiram a sede do instituto às 6 horas e se recuseram a cumprir decisão

Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo,

19 de março de 2009 | 20h39

A Justiça Federal determinou no início da noite desta quinta-feira, 18, a reintegração de posse da sede o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), invadida desde as 6h por cerca de 700 sem-terra ligados à Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf) da região do Entorno do de Brasília. Os invasores expulsaram os policiais que foram ler a ordem de desocupação e gritaram palavras de ordem de resistência, enquanto dirigentes do movimento, com o auxílio de parlamentares aliados, entraram com pedido de liminar contra a determinação judicial.

 

O clima ficou tenso e o prédio foi cercado por policiais federais e da PM do Distrito Federal, auxiliados por helicópteros que fizeram sobrevoaram. A situação só se acalmou pouco depois das 19h, com a intermediação do deputado Pedro Wilson (PT-GO), da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que prometeu reabrir um canal de negociações com o governo. Os sem-terra reivindicam terras para assentar cerca de mil famílias acampadas na região, infraestrutura e assistência técnica para os assentamentos já existentes.

 

As negociações com o grupo, que se arrastavam há uma semana, foram encerradas pela manhã pelo presidente do Incra, Rolf Hackbart, em resposta à invasão do prédio pelos manifestantes. Ele considerou que houve traição por parte do movimento e pediu à Justiça a imediata reintegração de posse do edifício. "Estou muito chateado, pois não há razão para a ocupação, um gesto de violência que prejudica o conjunto dos trabalhadores do campo, pois paralisa as ações de reforma agrária", enfatizou. "O País tem normas e leis e não pode tolerar a ilegalidade", explicou.

 

O comando nacional da Fetraf, que veio a Brasília em auxílio ao grupo regional, também resolveu radicalizar e recusou a contraproposta da direção do governo, que condicionava a reabertura do diálogo à desocupação do prédio e a volta dos manifestantes para suas casas. "Não negociamos mais com o Incra ou o Ministério do Desenvolvimento Agrário, queremos falar direto com quem manda no País e tem o poder da canetada", disse Graça Amorim, dirigente nacional da Fetraf, ao anunciar que tinha mandado emissários ao Palácio do Planalto falar com os ministros da Casa Civil e da Secretaria Geral da Presidência.

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