Justiça determina saída do MST de áreas invadidas em SP

A Justiça de Itapetininga, a 170 quilômetros de São Paulo, determinou nesta quinta-feira, 19, a retirada das 180 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que, desde a última terça-feira, mantêm invadidas as fazendas Sapituva e Reunidas Boi Gordo, na zona rural do município. Os sem-terra já foram intimados da decisão e têm até o final desta tarde para sair voluntariamente das áreas. Se houver descumprimento, o despejo será realizado pela Polícia Militar. O grupo é o mesmo que havia ocupado, na semana passada, uma fazenda da Companhia Suzano de Papel e Celulose no mesmo município. Despejados da área onde a empresa cultiva eucaliptos, os sem-terra se dividiram: cerca de 100 militantes invadiram a Boi Gordo e o restante se alojou na Sapituva. As ações do MST - invasões, bloqueio de rodovias, marchas e protestos - fazem parte do chamado "abril vermelho" para protestar contra a lentidão na reforma agrária e lembrar o massacre de Eldorado dos Carajás, em 17 de abril de 1996, quando 19 sem-terra foram mortos em confronto com a polícia. De acordo com a coordenação estadual do MST, essa fazenda tem 503 hectares e as terras já foram declaradas como improdutivas. O movimento quer que a área seja transformada em assentamento. A Boi Gordo, segundo o MST, fazia parte de um projeto de bovinocultura que faliu em 2001, deixando milhares de investidores sem receber. Como o Estado e a União também são credores, o movimento defende a destinação das terras para reforma agrária. Em Presidente Bernardes, no Pontal do Paranapanema, vence nesta quinta-feira o prazo para que cerca de 300 famílias ligadas ao MST desocupem a Fazenda São Luiz. O coordenador estadual Valmir Sebastião disse que nenhum líder tinha sido notificado sobre a ordem de despejo. "Vai ser difícil a gente sair", afirmou. Invasão no Pará Uma fazenda de 700 hectares localizada entre os municípios de Parauapebas e Eldorado dos Carajás, no sudeste do Pará, foi invadida nesta quinta-feira por cerca de 200 agricultores ligados MST, como parte do movimento "abril vermelho". Os invasores alegam que a área, às margens da rodovia PA-275, é improdutiva e deve ser desapropriada pelo Incra para o assentamento das famílias. O delegado Vicente Gomes, de Parauapebas informou que no começo da tarde mais sem terra haviam chegado à fazenda para se unir aos invasores. O MST planeja invadir outras áreas até o final do mês em Parauapebas. Morte A polícia de Redenção, no sul paraense, começou a investigar o assassinato, do fazendeiro Ciron Gomes Alves, de 54 anos, na última quarta-feira. Ele foi morto com um tiro no peito dentro da fazenda Santa Luzia, de sua propriedade, por quatro homens encapuzados. A casa de Alves foi revirada pelos assassinos, mas nada foi roubado. Os criminosos fugiram em uma motocicleta da vítima. Os policiais não souberam dizer se o crime foi motivado por disputa de terra ou assalto seguido de morte. Bloqueio de rodovia Cerca de 200 famílias do MST bloquearam esta manhã a BR-101, na altura do município de Palmares, na Zona da Mata, em protesto contra a lentidão do processo de assentamento da Usina Catende. Os sem-terra queimaram pneus e galhos para impedir o trânsito na rodovia. No final da última quarta-feira, o movimento reocupou o Engenho Cavaco, no município de Xexéu. É a terceira vez que os sem-terra ocupam esta mesma área, cujo processo de desapropriação não está em andamento porque há um recurso do proprietário na justiça. De acordo com o MST, a justiça brasileira é inimiga da reforma agrária.

Agencia Estado,

19 Abril 2007 | 18h10

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