Justiça determina desocupação de área em Osasco

Uma liminar expedida pelo juiz Paulo Campos Filho, da 4ª Vara Civil de Osasco, determinou odespejo, nesta quinta-feira, de cerca de 300 famílias que ocupavam uma área às margens do Rodoanel Mário Covas, em Osasco, na Grande São Paulo.A reintegração de posse ocorreu na Rua Vitor Civita, na altura do número 1.990, no Jardim Santa Maria. Os moradores da área haviam bloqueado o trânsito no rodoanel por duas vezes nesta quarta, para protestar contra a medida.Por volta das 5 horas, cerca de 300 policiais militares, incluindo cavalaria, força tática e bombeiros, chegaram ao local para dar início à desocupação. A ação ainda envolveu 20caminhões e 100 homens da Prefeitura e não foi registrado nenhumconflito."Estamos encaminhando as pessoas para seu lugar deorigem", disse o diretor do Departamento Técnico da Secretaria de Habitação, José Antonio Tavares dos Reis.A área pertence à empresa Brasília EmpreendimentoImobiliário e foi ocupada no início de agosto. Segundo o Secretário de Habitação, Jair Assaf, os moradores não serão transferidos para abrigos da prefeitura. "Temos mais quatroreintegrações para fazer nos próximos meses. São cerca de 3 mil famílias e não temos local para colocar todas essas pessoas", alerta.O casal David Giovani e Cíntia Frutuoso não sabia para onde ir. "Fiz uma dívida para comprar o material para o meu barraco, estamos desempregados e temos dois filhos. Vou ter deir para debaixo de alguma ponte", disse Giovani.Maria Zuleica Pereira de Araújo mudou-se para um dos barracos no último sábado e estava desesperada. Em sua casa estão mais quatro parentes, incluindo uma grávida. "Dei baixano meu contrato de aluguel ontem, não tinha mais como pagar R$ 230,00. Só meu filho trabalha e ganha R$ 380,00", diz. Ela seguiu para casa da irmã, que mora em outra área ocupada nomesmo bairro.Segundo o proprietário do terreno, Nicolau Carlo Harmuch, o acertado entre ele, a Secretaria de Habitação e o comando da polícia foi fazer a reintegração sem dar nenhum benefício aosinvasores. "Mas agora eles estão falando em arrumar um galpão para colocarem os móveis. Combinaram uma coisa e fizeram outra", reclamou.Para um dos representantes da Associação deSanta Maria - Gleba 2, Marcelo da Silva, a desocupação foi ilegal. "Estamos entrando hoje com um mandato de segurança no 1º Tribunal de Alçada Civil para cassar a liminar do dono."Segundo ele, a Prefeitura ganhou na Justiça a posse do terreno em 1996.O Secretário de Habitação afirmou que o juiz deu aliminar com base nos documentos de posse. "Pelo que sabemos, essa área não pertence ao município."

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