Justiça determina desocupação da fazenda de FHC

A Justiça concedeu um mandado de manutenção de posse à família do presidente Fernando Henrique Cardoso e a fazenda Córrego da Ponte, ocupada hoje por integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), pode ser desocupada a qualquer momento. O advogado da família do presidente, Fábio Luchesi, obteve na Justiça um "interdito proibitório", que não permite a invasão da propriedade.Luchesi é advogado da Agropecuária Córrego da Ponte Ltda., a pessoa jurídica que administra a fazenda. Ele explicou que a ação de interdito proibitório protege a propriedade e que, com a invasão do MST, transformou-se em ação de manutenção de posse. Foi nessa ação que acabou sendo determinada a retirada dos invasores, com força policial. "A invasão da fazenda foi uma ação puramente política" disse Luchesi. "Não há no caso nenhum impasse entre o interesse público e o interesse privado e, mais, não há impasse nenhum que justifique a invasão". Para Luchesi, a ação do MST foi "apenas um meio de pressionar, para aparecer com destaque na mídia. Foi um meio de desrespeitar o estado de direito". O advogado fez uma comparação: "Essa invasão é um esbulho possessório, crime tão grave quanto um roubo. Por isso, a Polícia Federal deverá fazer a prisão dos líderes. Trata-se de flagrante delito. Se alguém for pego cometendo um assalto é preso." O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, afirmou que a lei será cumprida e não descartou o uso da força para retirar os manifestantes de dentro da sede da fazenda. "A lei tem que ser cumprida, vai ser imposta a lei e temos que fazer a reintegração de posse", disse o general, ao explicar que a lei determina a detenção e a abertura de processo para quem comete delitos. Segundo ele, cerca de 300 homens - 80 agentes da Polícia Federal e uma companhia de fuzileiros das Forças Armadas - estão no local. Mas os policiais e os militares não estavam dispostos a invadir a fazenda para retirar à força os manifestantes, caso eles não se dispusessem a sair pacificamente da propriedade. "A polícia não pode entrar em uma aventura de uma operação noturna", afirmou o ministro Cardoso. Ele classificou a invasão como um problema "sério e grave como nunca houve na história do País". "A residência do delegado da Nação foi invadida e ali estão os objetos do presidente, ali é o domicílio presidencial, estão seus livros", disse o general. A fazenda Córrego da Ponte foi invadida hoje pela manhã, por volta das 7h.Ele argumentou que a Agência Brasileira de Segurança (ABIN) não soube com antecedência da ação dos sem terra porque o movimento estava em negociação com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "Eles (sem terra) estavam em Buritis em plena negociação com o Incra", contou o general, ao afirmar que fará as apurações sobre o que realmente ocorreu depois que a fazenda for desocupada.

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