Justiça destitui interventor de fundação ligada à UnB

Instituição sofreu intervenção por supostamente fazer gastos incompatíveis com a atividade científica

Ana Paula Scinocca, de O Estado de S. Paulo,

21 de fevereiro de 2008 | 18h27

Menos de uma semana depois de ter sido nomeado interventor da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), Luiz Augusto de Souza Fróes foi destituído do cargo pela Justiça. O juiz Aiston Henrique de Sousa, da 6ª Vara Civil do Distrito Federal , determinou a saída de Fróes e indicou para o posto o administrador Washington Maia Fernandes. Veja também: Entenda a crise dos cartões corporativos  Após leitura, Senado instala CPI mista dos cartões Interventor em órgão da UnB já foi acusado de receptaçãoJustiça bloqueia contas da Finatec a pedido do interventorReitor deixa apartamento da UnB após reforma polêmica Fróes foi indicado interventor pelo Ministério Público depois de a própria instituição ter determinado o afastamento dos cinco diretores da Finatec. O juiz Aiston Henrique de Sousa justificou a destituição por ter considerada precipitada a atuação de Fróes como interventor. Ele tomou posse na segunda-feira, mas no sábado anterior pediu ao MP que convocasse a polícia para vigiar as dependências da instituição.  A Finatec é uma fundação ligada à Universidade de Brasília (UnB). A instituição sofreu intervenção por supostamente fazer gastos incompatíveis com a atividade científica. Teria gasto, por exemplo, R$ 470 mil para comprar carro de luxo e decorar o apartamento do reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland. A lista de compras inclui três lixeiras por R$ 2.738, equipamentos de TV e som por R$ 36.603 e até vasos, no valor de R$ 7.264. Após a denúncia de uso indevido dos recursos públicos, o reitor deixou o luxuoso imóvel, localizado na Asa Norte, em Brasília. O magistrado também considerou inadequada a decisão de Fróes de dispensar 12 gerentes da Finatec do trabalho até o dia 27 de março, sob o argumento de que eles eram ligados à administração anterior. "A prudência manda que a administração judicial se dê de forma discreta, sem alarde de modo a não interferir no normal funcionamento da entidade sob administração, sempre observando o norte da medida. Se não haviam indícios claro da prática de crime, como ocultação das provas ou desvio de patrimônio, não havia necessidade de invasão policial", explica o juiz em sua decisão. Na terça-feira, os cinco diretores afastados da Finatec haviam solicitado na Justiça a destituição de Fróes no cargo.  A decisão de destituir Fróes do cargo foi tomada pelo juiz da 6ª Vara depois de ter colhido depoimento do interventor, anteontem. Além das medidas consideradas equivocadas tomadas no curto tempo em que esteve à frente da Finatec, Fróes foi acusado judicialmente de receptação de mercadoria roubada e venda de veículo com chassi adulterado. Na última quarta, o Estado revelou também que quando foi diretor-superintendente da Fundação Visconde de Cabo Frio, Fróes permitiu a contratação de empréstimos em instituições financeiras sem autorização prévia da instituição.  A fundação foi criada para prestar assistência a servidores do Itamaraty e tem seu conselho formado por diplomatas. Fróes foi procurado pela reportagem anteontem e ontem. Chegou a programar uma entrevista coletiva por dois dias seguido mas acabou desistindo, segundo funcionários da Finatec.

Tudo o que sabemos sobre:
cartões corporativosUnB

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.