Justiça decreta quebra de sigilo de 55 pessoas no ES

A Justiça Federal decretou a quebra de sigilo bancário de 55 pessoas e empresas no Espírito Santo, a pedido dos procuradores que integram a missão especial criada pelo Ministério da Justiça para combater o crime organizado no Estado. Entre os investigados, estão empresários e pessoas que tiveram seus nomes irregularmente usados como titulares de empresas, num esquema montado no para sonegar impostos. Segundo o delegado da Polícia Federal Dagoberto Garcia, especialista na investigação de crimes de lavagem de dinheiro, cerca de 20 pessoas foram ouvidas na PF e não sabiam que eram "laranjas".Duas das pessoas que tiveram sigilo quebrado já saíram da capital, de acordo com a PF, e não foram localizadas nas buscas realizadas na segunda-feira em empresas de Vitória. Um esquema que visava a sonegar impostos usando "laranjas" foi descrito em denúncia-crime que teria sido deixada pelo advogado Marcelo Denadai, assassinado no último dia 15 de abril. Essa denúncia também é investigada pela Polícia Federal.Um dos "laranjas" é a faxineira Ercília Rangel, que recebe um salário de R$ 250,00 mensais para fazer a limpeza de um terminal rodoviário na Grande Vitória. No entanto, é proprietária da empresa Vit-Fort Fomento Comercial LTDA, citada na notícia-crime. O documento diz que Ercília estaria morta. Seu nome teria sido usado na sociedade e também na compra de um apartamento tríplex, com área de 508 metros quadrados, na Avenida Gil Veloso, na Praia da Costa, em Vila Velha. O imóvel foi avaliado em R$ 700 mil. Ercília também seria titular de uma conta da empresa no Banco Santos Neves. Nos documentos apreendidos em empresas de Vila Velha e Vitória pela Polícia Federal, foram detectados indícios de crimes de formação de quadrilha, estelionato, agiotagem, crimes contra o sistema financeiro, fraudes em licitações públicas e sonegação fiscal, segundo a PF. Além de documentos, os policiais encontraram em um dos cofres apreendidos R$ 1,5 milhão, em dinheiro e cheques. O nome da empresa onde foi feita a descoberta não foi revelado pela Polícia Federal.Os policiais encontraram ainda, em outro cofre, munição para armas de uso restrito das Forças Armadas e uma pistola americana. O cofre precisou ser arrombado porque, segundo o delegado, os donos das empresas se recusaram a abri-lo. Hoje, os agentes realizaram buscas em mais três empresas em Vila Velha. O exame do material apreendido nas empresas deve durar mais 90 dias.A missão especial também investiga a ligação do crime organizado no Espírito Santo com outros Estados e países. Preso há 15 dias em Fortaleza, o norte-americano Reidar Carol Arden, de 48 anos, acusado de atuar na lavagem de dinheiro em várias partes do mundo, é suspeito de ter prestado serviços para integrantes do crime organizado no Espírito Santo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.