Justiça dá prazo de 24h para sem-terra desocuparem ferrovia

A Justiça do Pará deu prazo de 24 horas para que seis mil trabalhadores assentados pelo Incra e Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) em 297 assentamentos da região desocupem a ferrovia de Carajás, interditada desde a madrugada de hoje.É por ela que a Companhia Vale do Rio Doce exporta diariamente 150 mil toneladas de minério de ferro extraído das minas de Parauapebas, no Pará, para o porto de Itaqui, no Maranhão. Para desobstruir a ferrovia os assentados e sem-terra exigem do Incra pelo menos R$ 120 milhões para construção de estradas, escolas e postos de saúde nas fazendas onde estão assentadas 50 mil famílias.O transporte de passageiros também ficou prejudicado no percurso de 890 km da ferrovia. Um trem que levava 450 pessoas ficou retido em Açailândia (MA) quando ia para Parauapebas. As viagens programadas para amanhã esta sexta-feira foram canceladas. A Justiça estabeleceu multa diária de R$ 1 milhão contra os ocupantes da ferrovia no caso de eles permanecerem no local.O fracasso das negociações em Brasília, onde, segundo o MST e a Fetagri reina a "intransigência do governo federal, que alega não ter recursos para aplicar na reforma agrária", apressou o bloqueio. Barracas de lonas, sacos de arroz, armários e cadeiras foram colocados sobre os trilhos. "Vamos passar a noite aqui", afirmou Raimundo Nonato Silva, da Fetagri.De Belém, no final da tarde, seguiram para área 60 homens da PM. No início da noite, outros 50 homens seguiram em caminhões . "A ordem é tentar negociar, mas se isso fracassar teremos de desocupar a ferrovia para cumprir a decisão judicial", informou o comandante-geral da PM, coronel Mauro Calandrine.O ministro em exercício do Desenvolvimento Agrário, José Abraão, afirmou que não haverá acordo com os manifestantes enquanto a ferrovia não for desocupada. "Depredar patrimônio, impedir o trânsito de trens, quebrar pedágios, isso tudo atrapalha a reforma agrária. Nós não vamos nos reunir com esses agressores", disse o ministro.Ele lançou ao MST e à Fetagri uma advertência: "se quebrarem ou destruírem bens públicos esses movimentos não receberão créditos da reforma agrária e não haverá mais nenhuma reunião de negociação".

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