Justiça da Itália denuncia sobrinho de Pizzolato por ajuda em fuga

Justiça da Itália denuncia sobrinho de Pizzolato por ajuda em fuga

Ex-diretor do Banco do Brasil, que saiu do Brasil após a condenação por envolvimento do mensalão, foi encontrado na casa de Fernando Grando, em Maranello

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2014 | 10h14

VIENA - O sobrinho de Henrique Pizzolato, Fernando Grando, foi denunciado pela Justiça italiana por ter ajudado na fuga do tio para Itália. Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, foi condenado a doze anos e sete meses de prisão no julgamento do mensalão. Em outubro de 2013, ele fugiu para a Itália com um passaporte falso de um irmão morto.

A suspeita da Justiça é que Grando foi quem intermediou o aluguel da casa para o tio, que apenas se apresentava com o nome e documentos de seu irmão morto, Celso.

Para a Justiça italiana, Pizzolato ainda deu como seu endereço a própria casa de Grando, em Maranello. O Estado pode comprovar que, na porta da casa, o nome de sua mulher está inclusive colocado na caixa de correio.

Em fevereiro deste ano, ele acabou sendo descoberto na casa do sobrinho na cidade de Maranello, no norte da Itália, e levado para a prisão de Módena. Mas por falta de garantias nas prisões brasileiras, a extradição pedida pelo Brasil foi recusada.

A Justiça, porém, mantém um processo na Itália contra Pizzolato por falsidade ideológica e, agora, também contra Grando, o sobrinho que é um engenheiro da Ferrari.

A polícia de La Spezia já estava monitorando os movimentos de Pizzolato desde novembro de 2013, quando o brasileiro alugou uma casa no vilarejo à beira do Mar Mediterrâneo, Porto Venere.

Em entrevista exclusiva ao Estado, Pizzolato rejeitou a tese de que fugiu. "Salvei minha vida", disse.

"Como fizeram os italianos para fugir dos nazistas? Era a guerra. Era a sobrevivência. Eu não prejudiquei ninguém. Eu encontrei uma maneira de proteger a minha vida. Jamais trairei o princípio que meu pai e meu avô me ensinaram. A Justiça tarda, mas vem", disse. "A todos que me atacaram, a Justiça se fará sentir. Talvez não no tempo que eu queira. Mas a história escreverá (a Justiça). Não tenho vocação de ser herói. Mas apenas de fazer Justiça. Sempre estive ao lado dos mais fracos", completou.

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