Justiça condena jornalista por reportagem contra governador

O jornalista Fausto Brites foi condenado a dez meses de detenção e ao pagamento de multa de cinco salários mínimos - R$ 1.750,00 -, pela juíza Cíntia Xavier Letteriello, da 4ª Vara de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Em março de 2005, publicou uma matéria, dando seqüência série de reportagens denominada "Lixogate" no diário Correio do Estado, denunciando um golpe milionário contra a Prefeitura Municipal de Campo Grande.Segundo Brites, o esquema era arquitetado pelo italiano Moreno Gori, na exploração comercial do lixo da Capital, prevendo um processo de reciclagem e a construção de uma usina termoelétrica com a aproveitamento do gás produzido no local. O prefeito da época, André Puccinelli (PMDB), atual governador eleito de Mato Grosso do Sul, havia concordado com as propostas. Seriam R$ 7 milhões anuais, durante 30 anos, e multa de R$ 280 milhões em caso de rescisão de contrato.No mesmo mês de março, a Polícia Federal desencadeou a Operação Pégasus. Um dos locais vasculhados foi a sede do consórcio empresarial liderado por Gori. Na reportagem, Brites ressaltou a "coincidência de ser o mesmo endereço da empresa que seria contratada por Puccinelli". A magistrada entendeu que a pessoa do então prefeito foi moralmente atingida pela matéria.Fausto lamenta a decisão judicial, afirmando que "possivelmente não poderemos mais falar da Inconfidência Mineira, da Chacina da Candelária, da CPI no Judiciário, do impeachment do Collor, do mensalão, só para citar alguns. Não se pode tentar apagar a história a cada quatro anos".

Agencia Estado,

06 de novembro de 2006 | 21h53

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