Justiça condena assassino de jornalista em MG

Juri popular de Ipatinga considerou Alessandro Neves Augusto, o Pitote, culpado por homicídio de repórter policial em 2013

O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2015 | 23h13

Ipatinga - Alessandro Neves Augusto, o Pitote, foi considerado culpado pela morte do jornalista  Rodrigo Neto de Faria pelo Júri Popular da Comarca de Ipatinga. A sentença, uma pena total de 16 anos de reclusão, em regime fechado, foi lida pelo juiz da 2ª Vara Criminal, Antônio Augusto Calaes, por volta das 19h desta sexta-feira, 19. O magistrado negou ao réu o direito de recorrer em liberdade. Rodrigo Neto foi executado em 8 de março de 2013, no bairro Canaã, em Ipatinga. O julgamento teve início às 9h10, no  Foro Valéria Vieira Alves. 

O promotor Francisco Ângelo afirmou à imprensa que irá recorrer da sentença para aumento da pena. "O Ministério Público vai recorrer porque acredito que deveria ser um pouco mais elevada. Tem um juízo que se chama juízo de culpabilidade, de reprovabildiade. A morte de um profissional da imprensa, que trabalhava de forma assídua na busca de solução de casos criminais, deve ser levada em consideração. Vamos ver se o Tribunal irá concordar, mas é o entendimento do Ministério Público", disse.

Da pena, 12 anos foram aplicados pela execução de Rodrigo Neto, em 8 de março de 2013, e 4 anos pela tentativa de homicídio de uma pessoa que estava com o repórter no momento do crime. O advogado de defesa, Rodrigo Márcio do Carmo, pontuou que não se conforma com decisão e irá recorrer ao Tribunal de Justiça, Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal. "Pergunto, a sociedade está satisfeita com o desfecho? Esse pobre coitado pegou 16 anos de cadeia, mas vamos recorrer. A defesa está descontente e vamos lutar pelos direitos de nosso cliente até o limite", afirmou. 

Bar. O delegado da Polícia Civil, Emerson Morais,  primeiro a ser ouvido durante o julgamento,  afirmou que a morte do jornalista foi decidida em uma mesa de bar. "Policiais militares, civis, políticos, assessores e os dois acusados estavam na mesa, quando começaram a dizer que Rodrigo Neto estava demais e decidiram pela morte dele. O Lúcio (Lúcio Lírio Leal),  que era novo na polícia e Pitote, que gostava de puxar saco, pegaram o serviço para se vangloriar dentro da corporação", disse.

O caso.  Alessandro Augusto Neves, conhecido como "Pitote" foi preso no dia 11 de junho de 2013, no Bairro Novo Cruzeiro, em Ipatinga. Na época o Departamento de Homicídios de Proteção à Pessoa (DHPP), apreendeu com o réu uma pistola calibre 38, municiada.

Segundo a denúncia do Ministério Público, no dia 8 de março de 2013, Alessandro estava na garupa de uma moto, que era pilotada por uma pessoa não identificada, quando surpreendeu Rodrigo Neto e disparou várias vezes, atingindo a cabeça, tórax e costas do jornalista.

Os acusados também tentaram acertar uma segunda pessoa, que estava com o repórter no momento do crime. A vítima foi atingida por um tiro de raspão. Ainda de acordo com MP, o itinerário da fuga teria sido traçado pelo ex-policial civil, Lúcio Lírio Leal, que passou pelo local minutos antes do crime, viu o jornalista e avisou ao comparsa.

No dia 28 de agosto do ano passado, Lúcio foi condenado a 12 anos de prisão em regime fechado, pela morte de Rodrigo Neto. A dupla foi julgada separadamente devido ao desmembramento do processo. 

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