Justiça cassa títulos em cidade que tem mais eleitores do que população

Município de São Paulo, União Paulo, tem 1,6 mil habitantes mas conta 2,1 mil eleitores inscritos

Chico Siqueira,

04 de julho de 2012 | 15h57

ARAÇATUBA - O Ministério Público Estadual (MPE) e a Polícia Federal (PF) investigam a existência de um possível esquema de fraude eleitoral na cidade de União Paulista, no interior de São Paulo. O município tem 1,6 mil habitantes, mas conta 2,1 mil eleitores inscritos. A Justiça Eleitoral já determinou o cancelamento de 94 títulos cujos eleitores forneceram endereços falsos e a PF, investiga outras centenas de eleitores suspeitos de terem cometido a mesma fraude. A suspeita do MPE é de que candidatos estejam usando cortadores de cana -que são trazidos do nordeste para o corte de cana em São Paulo - para votar na cidade.

O promotor eleitoral André Luiz Nogueira Cunha contou que o problema surgiu entre abril e maio, quando o cartório de União Paulista passou a receber um grande volume de transferências de títulos. "Fiz uma lista com nomes de novos eleitores e pedi para a Polícia Civil fazer a constatação dos endereços", contou. Ao fazer a checagem de 190 endereços, na maioria deles, a Polícia Civil constatou que os eleitores não tinham qualquer ligação com os endereços. Alguns eram de bares e outros de casas vazias. "Todos os títulos foram cassados e como os eleitores não recorreram, não poderão votar nestas eleições", disse o promotor.

Cunha contou que depois que passou a investigar o caso, curiosamente, políticos da situação e da oposição enviaram, quase ao mesmo tempo, representações ao Ministério Público pedindo a apuração do caso. O promotor então pediu a abertura de dois inquéritos para a PF: um para checagem de endereços de uma nova lista, com centenas de nomes, e outro, para apurar se houve fraude, qual o tipo, e se há políticos envolvidos no esquema.

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