Justiça apreende R$ 318 mil em Campos e aumenta tensão

Policiais militares e oficiais de Justiça apreenderam na noite de sexta-feira R$ 318 mil em dinheiro na sede do PMDB campista, aumentando ainda mais o clima de tensão na cidade, com protestos de cabos eleitorais que ficaram sem pagamento, suspeita de compra de votos e acusações de perseguição. O presidente regional do partido, Anthony Garotinho, chegou pouco depois da operação e negou irregularidades, protestando contra a ação. Neste sábado, soldados da Brigada de Infantaria Pára-Quedista do Rio chegaram à cidade para garantir a votação. Em entrevistas, Garotinho acusou a Justiça Eleitoral de cometer "uma ação arbitrária e ilegal, que faz lembrar as cenas da ditadura". Ele apóia o candidato a prefeito Geraldo Pudim (PMDB), contra o candidato do prefeito Arnaldo Vianna (PDT), o também pedetista Carlos Alberto Campista, e participa intensamente da campanha no município. "Não tenho dúvida de que (a ação) foi para beneficiar a outra candidatura", atacou. OperaçãoO mandado da juíza eleitoral Denise Appolinária atendeu a pedido dos sete promotores eleitoral de Campos. Também foram apreendidos na ação uma listagem com nomes e números de títulos eleitorais, alguns títulos originais, 2.200 pulseiras plásticas que seriam supostamente usadas para identificar as pessoas que fariam boca-de-urna, uma CPU e disquetes, além de um cadastro de Cheque-Cidadão. O dinheiro estava todo em notas de R$ 50, em pacotes de R$ 5.000.Oficiais de Justiça acompanhados de policiais militares do Grupo de Apoio à Promotoria (GAP) chegaram ao local por volta de 19h30 e só deixaram a sede na madrugada. O dinheiro foi levado para a sede do GAP. De acordo com os agentes, a bolsa de dinheiro encontrada não estava cheia e havia outras duas vazias, reforçando suspeitas de que a quantia na sede poderia ser maior.O tesoureiro do partido, o secretário estadual de Integração Regional, Luiz Rogério Magalhães, disse que o que acontecia era o pagamento rotineiro da semana dos cabos eleitorais da campanha de Pudim. Avisado da ação, o presidente regional do partido, Anthony Garotinho, chegou à sede poucos minutos depois dos agentes. Ele permaneceu até as 21h15. Garotinho afirmou que o partido aumentou o número de cabos eleitorais contratados e que foi aconselhado pelo advogado do partido a pagar na sede para "dar transparência" ao processo. Também disse ter ele mesmo pedido reforço policial."Se quiserem prender ladrão é mais fácil procurar na prefeitura", disse, alterado.Logo depois que Garotinho foi embora, policiais federais chegaram ao local para dar segurança aos oficiais de Justiça. O delegado-chefe da Polícia Federal em Campos, Carlos Pereira, afirmou que a juíza pediu o apoio de soldados do Exército, mas, como a Força só entraria em ação neste domingo, transferiu a tarefa para a PF. A presença da PF, ligada ao governo federal, gerou mal-estar e informações desencontradas.

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