Justiça abre processo contra sete policiais do caso Toninho do PT

A Justiça de Caraguatatuba abriu processo criminal contra sete policiais de Campinas, acusados matar quatro homens na cidade litorânea, em outubro de 2001. O crime ocorreu algumas semanas após o assassinato do prefeito de Campinas Antonio da Costa Santos (PT), o Toninho, em setembro do mesmo ano. Dois dos mortos pelos policiais eram integrantes da quadrilha do seqüestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, e foram acusados pela Polícia Civil de São Paulo de participação na morte do prefeito, sendo que um deles teria sido o autor do tiro que matou Toninho. A denúncia contra os policiais foi apresentada pelo Ministério Público e aceita pela juíza Tâmara Brandão, da 2ª Vara Criminal de Caraguatatuba. Mas ela negou o pedido de prisão preventiva, feito pelos promotores, justificando que cinco dos réus - o delegado Marcos Antônio Manfrim, os investigadores Alcir Biazon Júnior e Nelson da Costa, os carcereiros Fábio Nunes de Arruda Campos e Sandro José da Costa - continuam trabalhando e nenhum deles apresenta ameaça. Os cinco policiais atuam em São Paulo. Os outros dois acusados, Rogério Luis Salum Diniz e Eudes Trevisan, já respondem a um processo de extorsão mediante seqüestro e são acusados de integrar a quadrilha de Andinho. Eles estão em liberdade. Trevisan era investigador da Delegacia Anti-Seqüestros de Campinas (Deas) e os outros seis trabalhavam no 4º Distrito Policial da cidade. Os policiais são acusados pela juíza da "execução previamente ajustada" dos quatro rapazes que estavam em uma casa em um condomínio de Caraguatatuba, entre eles Anderson Bastos, que teria atirado contra o prefeito, e Valmir Conti, o outro integrante da quadrilha de Andinho. Na época, os policias alegaram que houve confronto e atiraram em legítima defesa, versão contestada pelo Ministério Público. De acordo com o promotor do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaerco) de Caraguatatuba, Gustavo Albano Dias da Silva, as investigações demoraram mais de quatro anos porque foi preciso produzir provas periciais relevantes. "O caso é importante e todo cuidado é pouco", alegou. Ele explicou que a Promotoria irá defender que não houve confronto, mas execução. O promotor do Ministério Público de Campinas Fernando Viana, que acompanha as investigações sobre a morte do prefeito e um dos que denunciaram a quadrilha de Andinho à Justiça como responsável pelo crime, explicou que não ficou estabelecida ligação entre o caso de Caraguatatuba e o assassinato de Santos. "A denúncia aponta que houve um acerto de contas entre integrantes da quadrilha por divergências internas, uma atividade de grupo de extermínio", comentou Viana.Andinho é o único réu vivo no processo da morte de Toninho. Para a família do prefeito, a abertura do processo contra os policiais pode trazer luz às investigações da morte do prefeito. Paulo da Costa Santos, irmão de Toninho, insistiu que há vínculo entre os dois casos, porque dois acusados de matar seu irmão foram mortos pela polícia de Campinas em Caraguatatuba. "Se o processo for isento, poderão surgir novas informações, testemunhas e novas correntes de investigação que possam apontar essa ligação e ajudar nos dois casos. Essa é nossa expectativa", disse Santos. Ele defendeu que a família irá aguardar o encaminhamento do processo.

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