Justiça abre processo contra Genoino, Delúbio e Valério

A juíza da 4ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, Adriane Luísa Vieira Trindade, recebeu nesta terça-feira denúncia contra dirigentes do Banco BMG, os ex-dirigentes petistas José Genoino e Delúbio Soares, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, sua mulher e sócios. Conforme o Ministério Público Federal (MPF), os réus irão responder por falsidade ideológica e gestão fraudulenta de instituição financeira. Na denúncia, o MPF diz que o BMG concedeu "empréstimos fraudulentos" ao PT e ao grupo de empresas pertencentes a Valério durante o período em que vigorou o esquema batizado de mensalão. Conforme a Procuradoria da República em Minas, o BMG auferiu "inúmeras vantagens em virtude de sua participação no esquema", que lhe garantiram, a partir de 2003, "lucros bilionários" na operacionalização de empréstimos consignados. Foram acusados e são réus na ação o presidente do BMG, Ricardo Annes Guimarães, os dirigentes Flávio Pentagna Guimarães, João Batista de Abreu e Márcio Alaôr de Araújo. Além do deputado federal eleito Genoino, Delúbio e Valério, são réus também a mulher do empresário, Renilda Maria Santiago, e os sócios Ramon Hollerbach, Cristiano de Mello Paz e Rogério Lanza Tolentino. De acordo com informações da Justiça Federal, a denúncia foi recebida pela juíza na segunda, no mesmo dia em que foi apresentada à 4ª Vara. O interrogatório das partes já tem data marcada: 19 de janeiro do próximo ano. Genoino e Delúbio serão intimados por carta precatória. Os dirigentes do BMG haviam ficado de fora da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza. O advogado Raphael Miranda, que representa o banco nas ações de execução relativas aos empréstimos, disse que a ação penal é "muito incipiente". Ele assegurou que os empréstimos ao PT e empresas de Valério foram lícitos e podem ser "facilmente comprovados". Marcelo Leonardo, advogado de Valério, sua mulher e sócios, disse que iria encaminhar um pedido à 4ª Vara Federal em Belo Horizonte para que o processo seja remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita o inquérito do mensalão. Segundo ele, o STF não aceitou a proposta de desmembramento do processo. Outro motivo é o fato de Genoino ter sido eleito deputado federal. Sua diplomação estava marcada para esta terça, mas Genoino não apareceu para receber o diploma. Este texto foi ampliado às 16h14.

Agencia Estado,

19 Dezembro 2006 | 15h15

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