Juro aumentou para evitar volta da inflação, diz FHC

O presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta quinta-feira que o aumento da taxa básica de juros (Selic) da economia nesta semana, de 21% para 22% ao ano, teve como objetivo evitar a volta do ?pesadelo? da inflação.?É natural, é para conter a inflação. Todo o objetivo é evitar que a inflação voltea ser um pesadelo para os brasileiros?, declarou o presidente, no lançamento do livroFernando Henrique Cardoso e a Reconstrução da Democracia no Brasil, do sociólogonorte-americano Ted G. Goertzel, no Clube das Nações.Fernando Henrique disse esperar que, até o fim do ano, novos aumentos da taxa Selic não sejamnecessários. ?Espero que os preços comecem a ajudar, a cair. Ninguém gosta de aumentar os juros, é muito ruim. Vou torcer para que se possa até baixar?, disse. ?Mas depende do comportamento do mercado. E o mercado depende de como as várias forças atuem nessa matéria. Acho que, agora,que o câmbio arrefeceu, é possível que haja também uma diminuição da pressão inflacionária.?De acordo com o presidente, as medidas adotadas beneficiam o futuro governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. ?Tenho responsabilidades com o País?, disse Fernando Henrique. ?Mantivemos a estabilidade esses anos todos, de modo que agora, por mais duro que seja - e é duro -, vamos ter uma políticaresponsável e vamos com isso ajudar o próximo governo.?Banco CentralFernando Henrique afirmou não ter recebido de Lula nenhum pedido para enviar ao Senado, ainda neste ano, o nome do futuro presidente do Banco Central. Mas voltou a dizer que fará isso semproblema, caso seja solicitado.?Se o presidente eleito desejar, é muito simples: faço isso com a maior naturalidade. Um governo democrático como é o meu, obviamente nãovai criar qualquer obstáculo?, declarou. ?Mas depende dele (Lula), e ele não me falounesse assunto.?O presidente elogiou a conduta de Lula no período de transição, no que diz respeito à escolha do próximo presidente do BC. ?O presidente eleito tem toda a liberdade de tomar o seu tempo, acho que ele está agindo muito bem?, disse.Fernando Henrique não quis opinar sobre o valor do aumento do salário mínimo em 2003, tema em discussão no Congresso. Mas disse ser contrário à proposta de criação do cargo de senador vitalício para ex-presidentes, outro assunto também em tramitação no Congresso.Em relação ao mínimo, ele admitiu que é ?complicado? o fato de uma cesta básicacustar o mesmo que o mínimo (R$ 200,00). E lembrou que, em 1994, quando eraministro da Fazenda no governo de Itamar Franco (1992-1994), ?o salário mínimo erabem menos do que a cesta básica?.?Depois conseguimos que fosse bem maior. Agora, por causa precisamente dos preços, o que vai ter que se fazer é corrigir o salário mínimo como sempre eu fiz e isso certamente vai acontecer no novo governo?, afirmou."Vou querer paz e amor"A 40 dias do fim de seu mandato, Fernando Henrique falou sobre como acha que se sentirá após deixar o Palácio do Planalto e adiantou que, a exemplo do que dizia Lula na campanha, vai querer ?paz e amor?.?Acho que a primeira sensação vai ser de que também sou filho de Deus. Acordar um dia sem saber que tenho uma agenda, que tem gente me esperando, que isso vai às vezes até tarde da noite, deve ser, no primeiro momento pelo menos, uma sensação não quero dizer de alívio, porque nãoestou me sentindo com pressão maior, gosto de trabalhar e governar. Mas acho que ébom relaxar um pouco?, disse.?Vou pedir uma enorme compreensão da imprensa, quedepois que eu deixar o governo, vai estar o tempo todo perguntando ?O que o senhoracha da inflação?, O que o senhor acha do governo?, e eu não vou achar nada, vouquerer, como diria o Lula, agora quero paz e amor.? Sociólogo norte-americanoNo lançamento brasileiro do livro do sociólogo norte-americano Ted G. Goertzel, o presidente Fernando Henrique chegou acompanhado da primeira-dama, Ruth Cardoso.Fernando Henrique posou para fotos ao lado do autor e disse a jornalistas que revisou a edição em inglês da obra, lançada em 1999, nos Estados Unidos.Ted Goertzel é Ph.D. em Sociologia pela Washington University e M.A. pela mesma instituição em Sociologia e Estudos sobre a América Latina. É professor de Sociologia da Rutgers University e foi professor visitante da USP entre 1967 e 1968.Segundo Goertzel, a trajetória do sociólogo Fernando Henrique tem muito mais coerência do que a gente pensa com sua atuação no exercício da Presidência da República. O autor faz no livro um balanço positivo da gestão de Fernando Henrique, destacando a estabilidade da moeda e o foco na responsabilidade fiscal.

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