Júri inocenta skinhead da morte de homossexual

Os jurados do 1º Primeiro Tribunal do Júri da Capital decidiram que o ?skinhead? Roberto Fernando Gros Dias não participou do linchamento do adestrador de cães Edison Neris. Ele foi morto a socos e pontapés, por um grupo de carecas, em 6 de fevereiro 2000. Edison foi atacado porque estava de mãos dadas com Dario Pereira Neto, que só não foi morto também porque conseguiu fugir. O júri aplicou a Roberto Gros pena de dois anos de prisão, por crime de formação de quadrilha. Como ele já cumpriu esse tempo enquanto aguardava julgamento, o juiz Luiz Fernando Camargo de Barros Vidal expediu alvará de soltura. O promotor Marcelo Camargo Milani pode recorrer ao Tribunal de Justiça, pleiteando que Roberto seja levado a um segundo júri. O promotor queria que ele fosse condenado também por tentativa de morte qualificada e homicídio qualificado, o que resultaria numa pena de 12 a 50 anos de cadeia. A tese de negativa de autoria, sustentada pelos advogados Antônio Carlos Rinaldi e Joel Xavier da Silva, foi a que prevaleceu. Ao todo foram denunciados no processo, como participantes das agressões, 18 skinheads. Entretanto, a prova reunida na instrução do processo permitiu levar a júri apenas nove, por tentativa de morte qualificada, homicídio qualificado e formação de quadrilha. Os nove outros responderão apenas por formação de quadrilha. Recurso interposto pela promotoria, afim de que os outros também respondam por homicídio e tentativa de morte qualificadas, está em andamento no Tribunal de Justiça.Além de Roberto Fernando Gros, anteriormente quatro outros ?carecas? haviam sido condenados: os líderes do bando - Juliano Filipini e José Nilson Pereira da Silva (21 anos de cadeia cada um) -, Jorge da Conceição Soler (3 anos e 4 meses, em regime aberto, por tentativa de morte), Vanderlei Cardoso de Sá (19 anos e 6 meses de cadeia). Só dois foram absolvidos: Marcelo Pereira Martins e Regina Saran.

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