Júri é formado no 1º dia do julgamento da morte de índio

O primeiro dia de julgamento dos acusados pelo assassinato do cacique guarani-kaiowa Marcos Veron, no interior de Mato Grosso do Sul, terminou às 16h50 de hoje. A juíza federal Paula Mantovani Avelino, da 1.ª Vara Federal Criminal, realizou o sorteio dos sete jurados: foram seis homens e uma mulher.

PEDRO DA ROCHA, Agência Estado

21 de fevereiro de 2011 | 20h59

No início do julgamento, às 12 horas, a juíza negou um pedido da defesa para anular a realização do júri sob a alegação de que a Justiça Federal não teria competência para julgar o caso. Hoje, também foram lidas as peças processuais. Amanhã, às 9 horas, o júri será retomado.

Ao longo do julgamento, que deve durar de oito a 15 dias, serão ouvidas, por ordem, sete vítimas indígenas, cinco testemunhas de acusação (três indígenas), duas testemunhas de defesa e uma testemunha do juízo. Em seguida, ocorrerá o interrogatório dos três acusados. Os debates devem durar em torno de 10 horas. Em sala secreta, serão julgados os quesitos e proferida a sentença.

O crime aconteceu entre os dias 12 e 13 de janeiro de 2003 no município de Juti, na região de Dourados, Mato Grosso do Sul. Na ocasião, quatro homens armados ameaçaram, espancaram e atiraram nos líderes indígenas, incluindo o cacique Veron, que na época tinha 72 anos.

Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos e Jorge Cristaldo Insabralde respondem por tentativa de homicídio qualificado, por seis vezes, e Santos, ainda, por homicídio consumado. Eles respondem também por crime de tortura, sequestro e formação de quadrilha. Foragido, o acusado Nivaldo Alves Oliveira teve seu processo desmembrado e suspenso. O caso foi transferido de Mato Grosso do Sul para São Paulo a pedido do Ministério Público Federal (MPF) por dúvida quanto à isenção dos jurados locais.

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