Júri absolve fazendeiro acusado de mandar matar Dorothy

Pistoleiro inocentou Bida e disse ter agido sozinho; promotor afirma que vai recorrer da decisão

Carlos Mendes, de O Estado de S. Paulo,

06 de maio de 2008 | 20h05

Acusado de ser o mandante da morte da missionária Dorothy Stang, em fevereiro de 2005, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foi absolvido pelo conselho de sentença durante o segundo julgamento a que foi submetido. A decisão revoltou as famílias da vítima e entidades de direitos humanos presentes no salão do júri. O promotor Edson Souza disse que pretende recorrer da decisão. Os jurados entenderam que não havia provas suficientes para condenar o fazendeiro e ele será solto. No mesmo julgamento, que durou dois dias, o pistoleiro Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, foi condenado a 28 anos de prisão em regime fechado.  Veja Também:Entenda o caso da missionária Dorothy Stang   Acusado de assassinar Dorothy Stang se contradiz ao depor   Dorothy, defensora dos direitos humanos e que trabalhava em área de conflitos fundiários, foi morta a tiros em Anapu, a 300 quilômetros da capital paraense, em 12 de fevereiro de 2005. A previsão é a de que o julgamento demore dois dias. O que pesou na absolvição de Moura, condenado a 27 anos no primeiro julgamento, realizado no ano passado, foi o depoimento do pistoleiro favorável ao fazendeiro, assumindo sozinho a autoria do crime. Ele descartou um possível mandante, dizendo ter planejado executado sozinho o crime. A defesa de Moura festejou a absolvição juntamente com os familiares do fazendeiro.  O promotor sustentou contra Moura e Sales a acusação do homicídio qualificado, com uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Também afirmou que o crime foi praticado mediante promessa de pagamento. Ele denunciou da tribuna as ameaças que vem sofrendo, dirigida a seus familiares. "Essas ameaças, feitas por telefonemas anônimos, vem ocorrendo há cerca de um ano", disse Souza. O advogado Eduardo Imbiriba, defensor de Moura, viu coroada sua tese de negativa de autoria. Ele foi categórico ao dizer que não existe nenhuma prova concreta no processo que incrimine o fazendeiro. Segundo Imbiriba, houve contradições no inquérito policial que favoreceram Moura.  Como Moura e Sales foram condenados a mais de 20 anos de prisão cada um, 30 e 27 anos respectivamente, eles tiveram direito a novos julgamentos. O fazendeiro foi condenado em 14 de maio de 2007. Sales, executor do crime, foi condenado em dezembro de 2005, recorreu e em 22 de outubro de 2007 o júri confirmou a condenação. A defesa dele recorreu, alegou problemas técnicos e o segundo julgamento foi anulado.

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