Jurados do massacre de Eldorado dos Carajás são trocados

A juíza responsável pelo processo do massacre de sem-terra em Eldorado dos Carajás, Eva do Amaral Coelho, decidiu nesta quinta-feira escolher em sorteio um novo corpo de jurados para o julgamento de 149 policiais militares acusados de matar 19 trabalhadores rurais, em 17 de abril de 1996.O júri, de 21 pessoas, foi dissolvido porque o promotor Marco Aurélio do Nascimento, que comanda a acusação aos militares, pediu a substituição de dois jurados porque eles respondem a processo por falsidade ideológica na Justiça Federal. Além disso, colocou sob suspeição outros onze jurados, alegando que por serem funcionários do Estado teriam trocado informações entre si. Outros três jurados, alegando falta de isenção para julgar os militares, haviam pedido afastamento do caso.Com tantos desfalques, não restou alternativa à juíza senão fazer um novo sorteio. A juíza informou que terá de publicar edital de convocação dos novos jurados para, depois de três dias, sortear os titulares e suplentes. Só depois disso é que marcará as datas do julgamento. Isto deve ocorrer nos próximos 18 dias. A intenção do TJ do Pará é fazer o julgamento no final de maio.Marcada a nova data, o julgamento só poderá ser iniciado 15 depois, prazo em que os advogados de defesa e de acusação poderão ingressar com pedido de impugnação de qualquer um dos jurados.O MST anunciou que deve ingressar com recurso no Superior Tribunal de Justiça contra a permanência de Eva Coelho no caso. No começo desta semana, por unanimidade, as Câmaras Criminais Reunidas do TJ paraense decidiram manter a juíza no comando do processo. Advogados do MST acreditam na possibilidade de Eva se afastar a qualquer momento. Ela teria até redigido uma carta de renúncia, mas depois recuou. A juíza se nega a comentar essa possibilidade e assegura que irá até o fim.A presidente do TJ, Climenie Pontes, recebeu hoje uma comissão de mutilados do MST, que foi pedir agilidade no processo de indenização. Ela ouviu o relato de algumas vítimas e prometeu designar um juiz para ir a Curionópolis, no sul do Estado, para acompanhar a tramitação do processo. Os 67 mutilados pedem pensão mensal de um salário mínimo e meio do Estado. Esse é o valor pago aos familiares dos 19 mortos. Em outro processo, de indenização contra o Estado, o MST cobra R$ 5 milhões em favor das vítimas.

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