Juntos, Marta, Alckmin e Kassab buscam votos de religiosos

Presença dos candidatos em cultos evangélicos e missas católicas tem sido cada vez mais freqüente na campanha

Ricardo Brandt e Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

14 de julho de 2008 | 00h00

A busca do voto de eleitores religiosos tem sido uma constante preocupação dos candidatos à Prefeitura de São Paulo. Embora neguem objetivos eleitoreiros, a presença deles em cultos evangélicos e missas católicas tem sido cada vez mais freqüente. Ontem, a agenda de Geraldo Alckmin (PSDB) incluía três eventos religiosos. O prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), tem participado diariamente de cerimônias evangélicas.Essa preocupação com o voto religioso acabou provocando ontem um inesperado encontro entre os três candidatos mais bem situados nas pesquisas eleitorais - Marta Suplicy (PT), Alckmin e Kassab. O encontro, o primeiro desde a largada oficial da campanha, no dia 6, ocorreu durante uma missa em Ermelino Matarazzo, bairro da zona leste da cidade.Foi uma celebração em homenagem aos 30 anos de ordenação do padre Ticão - importante liderança religiosa e social na zona leste. Os candidatos dividiram o altar com o padre e outros convidados e se cumprimentaram durante momento litúrgico do Abraço da Paz, que antecede a eucaristia.Alckmin, o primeiro a chegar, foi acomodado numa cadeira ao lado esquerdo do altar. Marta apareceu logo em seguida e ficou do lado direito. Estava acompanhada pelo ex-marido e senador, Eduardo Suplicy (PT-SP). Kassab, que chegou atrasado, ganhou uma cadeira próxima à da ex-prefeita.Durante a homilia, o religioso cobrou dos três candidatos um governo voltado para o povo mais carente da cidade. Em seguida, ofereceu o microfone a cada um deles. O tucano foi o mais aplaudido.Marta e Alckmin elogiaram a vida e o trabalho do padre. Antes de passar o microfone para Kassab, padre Ticão aproveitou para convidar os três para um debate com a comunidade local, no dia 18 de agosto.O prefeito Kassab aproveitou e cobrou publicamente a presença dos outros dois concorrentes nos debates. Disse que aceitava de imediato o convite para o debate em Ermelino Matarazzo e pediu à petista e ao tucano que voltassem a refletir sobre sua recusa de participar do debate que estava previsto para amanhã na sede do jornal O Estado de S. Paulo."São Paulo tem quase 12 milhões de habitantes e pouco mais de 8 milhões de eleitores e eles merecem que os candidatos participem dos debates para que possam ter a oportunidade de avaliá-los sob a ótica do debate", afirmou Kassab.Mais tarde, em entrevista coletiva, Marta e Alckmin alegaram problemas de excesso de compromissos para não comparecerem ao debate do jornal.O candidato do PSDB, que no fim da tarde visitou o 25º Bazar Beneficente da Associação Pró-Excepcionais Komodo-No-So, em Itaquera, zona leste, disse que pretende comparecer ao debate proposto pelo padre Ticão: "Não sei o que tem na minha agenda dia 18, mas quando puder eu irei aos debates."Alckmin ainda participou da inauguração do Centro de Evangelização Padre Léo Ferreira, da Canção Nova, organização ligada à Renovação Carismática. Na ocasião encontrou-se com o cardeal d. Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo.Kassab também visitou o bazar da comunidade japonesa. Ao passar por uma barraca de hortaliças, pegou um pacote de chuchu e mostrou aos acompanhantes. "Está em baixa", disse, ironizando Alckmin, que durante a campanha presidencial de 2006 foi apelidado de "picolé de chuchu". CAMINHADAApós participar da missa do padre Ticão, a candidata Marta Suplicy foi fazer campanha corpo-a-corpo na feira dominical da Vila Mara, em São Miguel Paulista, também na zona leste. Caminhou por uma hora e 40 minutos entre compradores e comerciantes. Ouviu pedidos, posou para fotografias, distribuiu autógrafos e até comprou carambolas.Recebeu elogios por políticas que desenvolveu na época em que foi prefeita, mas também escutou críticas. "Não voto nela porque no tempo dela tinha muita taxa. Taxa do lixo, taxa disso, taxa daquilo...", disse um dos eleitores cumprimentados pela ex-prefeita. "Vou votar nela por causa do bilhete único", prometeu uma senhora.No pronunciamento que fez no início da caminhada, Marta acusou a atual administração de ter esquecido a periferia: "Em quatro anos dessa administração não houve um olhar para a periferia da cidade."Ontem a assessoria de imprensa de Kassab qualificou de "infundadas" as críticas feitas por Marta à situação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Em pronunciamento feito no sábado, ela disse que a instituição está sendo sucateada.FRASESGilberto KassabCandidato do DEM"São Paulo tem quase 12 milhões de habitantes e pouco mais de 8 milhões de eleitores, e eles merecem que os candidatos participemdos debates para que possam ter a oportunidade de avaliá-los sob a ótica do debate"Geraldo AlckminCandidato do PSDB"Não sei o que tem marcado na minha agenda dia 18, mas quando eu puder eu irei aos debates"Marta SuplicyCandidata do PT"O PT é o partido que governa para quem tem menos nessa cidade e o povo reconhece isso"

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