Junto a Alckmin, Aécio diz que entende dificuldade de Serra

Para o governador mineiro, o projeto de Alckmin é o que tem maior identidade com o governador paulista

Reuters,

07 de agosto de 2008 | 18h40

Ao lado de Geraldo Alckmin (PSDB), o governador Aécio Neves (MG) disse nesta quinta-feira que compreende as "circunstâncias" políticas do governador José Serra, que até agora não participou de compromissos públicos do candidato do partido em São Paulo. "É muito claro, não é motivo de desconforto para ninguém. Ele (Serra) foi prefeito da capital, foi sucedido por seu vice (Gilberto Kassab, do DEM) e tem pessoas ligadas a ele na administração. Eu acho que ele saberá construir essa transição naturalmente. Vamos dar tempo ao tempo", disse Aécio a jornalistas na sede do comitê de campanha de Alckmin na região central de São Paulo. Para o governador mineiro, que pretende disputar a sucessão presidencial em 2010 tanto quanto Serra, o projeto de Alckmin é o que tem maior identidade com o governador paulista nesta eleição. Ele considera também que a relação entre PSDB e DEM não sairá arranhada e que as duas legendas estarão juntas nas próximas eleições. "Eu não acredito que essas eleições, seja em São Paulo ou em outros municípios em que os Democratas e os tucanos estejam em palanques distintos, possam interromper a trajetória de proximidade entre esses dois partidos no que diz respeito à política nacional", declarou. Aécio e Alckmin estiveram reunidos reservadamente por cerca de 20 minutos no comitê e em seguida deixaram o local, sob forte chuva, para tomar um cafezinho em um bar próximo. Na seqüência, Aécio seguiria ao Palácio dos Bandeirantes para encontro com o governador paulista, mas a conversa foi adiada para sexta-feira pela manhã em função da chuva. Alckmin procurou minimizar a ausência de Serra em sua campanha. "Ele tem ajudado, esteve na convenção (que oficializou a candidatura, em junho), já declarou apoio. Converso semanalmente com ele sobre temas de São Paulo." "O apoio de Serra não exclui o do Aécio e o apoio do Aécio não exclui o do Serra", disse o candidato. Alckmin relatou que a presença do governador mineiro se assemelha às visitas de outros tucanos como o governador de Roraima, José de Anchieta Júnior, o prefeito de Curitiba, Beto Richa, candidato à reeleição, e o senador Marconi Perillo. O candidato disse que conversou nesta quinta-feira com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se colocou à disposição para participar da campanha. O encontro público foi marcado para a próxima semana. MARTA QUESTIONA A candidata Marta Suplicy (PT), que lidera com o tucano a disputa em São Paulo, ironizou a visita de Aécio. "Certamente ficará a indagação: por que o governador do Estado dele (Alckmin) não vai na caminhada?", afirmou a após participar de encontro com dirigentes de clubes esportivos. Aécio procurou estar próximo de Alckmin durante toda a disputa de mais de seis meses entre o ex-governador e Kassab, em que uma ala do PSDB apoiada por Serra defendia a adesão da legenda ao prefeito. O movimento de Aécio de se aliar a Alckmin é visto como uma forma de fragilizar Serra na eleição municipal, com impacto em 2010. Nesta tarde, Aécio tentou afastar a vinculação entre as duas eleições. "É um equívoco fazer esta ilação, esta vinculação, historicamente isto não existe. Em 2010 vamos definir aquele que disputará a eleição presidencial de forma consensual", disse Aécio. Em Belo Horizonte, o governador mineiro apóia, juntamente com o atual prefeito, o petista Fernando Pimentel, o candidato do PSB, Márcio Lacerda, que patina no terceiro lugar das pesquisas de intenção de voto. (Reportagem de Carmen Munari)

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