Jungmann propõe CPI na Câmara para investigar Receita

Depois do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) anunciar que está recolhendo assinaturas para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista da Receita Federal - com a participação de deputados e senadores -, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) informou hoje que também irá propor a formação de uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB. Jungmann diz já ter começado a recolher as assinaturas.

CAROL PIRES, Agência Estado

08 de setembro de 2010 | 15h29

"O Congresso está disperso agora por conta do recesso, mas vamos conseguir aprová-la, sem sombra de dúvidas. Vou começar a coleta de assinaturas. Essa é uma questão democrática, a proteção do sigilo dos dados tem base na Constituição", disse o parlamentar, por meio de sua assessoria.

Segundo Jungmann, a participação do Congresso Nacional nas investigações é importante porque, segundo ele, as apurações feitas até o momento não são "satisfatórias". "A Receita Federal está escondendo dados e informações, mentindo. Como vamos fazer? Confiar isso à Polícia Federal (PF) do Executivo? Não. Isso não é mais um problema só de José Serra, mas um problema de milhões de brasileiros que recolhem impostos", completou.

Para o PSDB, a campanha de Dilma Rousseff, candidata à Presidência pelo PT, pode ter se valido de informações da Receita para atingir interesses políticos. "Se realmente essa vontade existe, que o PT subscreva essa CPI para apurarmos da maneira mais ágil tudo o que está acontecendo na Receita", afirmou o deputado Carlos Sampaio, autor do pedido de CPI mista.

"Não existe instrumento mais ágil do que uma CPI", completou ele, que encaminhou cópia do requerimento para os presidentes dos partidos de oposição coletarem as assinaturas dos congressistas.

No entanto, o senador Alvaro Dias (PR), líder do PSDB no Senado, ressaltou que, com o Congresso esvaziado pelo recesso branco, seria muito difícil conseguir as assinaturas necessárias para instalar a comissão. "O caso justifica uma CPI, mas o momento a inviabiliza. Será difícil conseguir as assinaturas e o governo a abafaria com facilidade."

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