Jungmann insinua que ACM tenta golpe de Estado

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, acusou nesta quinta-feira o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) de tentar comprometer a governabilidade do País ao promover encontros ?clandestinos? com procuradores da República. ?Buscar municiar o Ministério Público, de forma clandestina, para tentar atingir o presidente, do qual se diz aliado, é uma tentativa de comprometer a governabilidade e, quem sabe até, tentar até pescar nas águas turvas de um golpe?, desabafou. Jungmann decidiu assumir a defesa do governo na tarde desta quinta-feira, já que nenhum ministro ou liderança partidária o fazia e informou que falava em seu nome e como ?membro do governo?, não em nome do Planalto. O ministro foi duro nos ataques ao senador baiano. Classificou ACM de ?oportunista de ocasião? e de ?derrotado?. Também deixou claro que Antonio Carlos deveria abrir mão dos cargos que têm no governo. O senador tem vários indicados seus em cargos federais, entre os quais, os ministros Waldeck Ornélas (Previdência) e Rodolpho Tourinho (Minas e Energia). ?Isso é matéria do presidente Fernando Henrique, mas acredito que quem denuncia não pode tirar benefício?, assinalou Jungmann. ?ACM, por seus atos e ações é um declarado inimigo do governo, do PFL e da governabilidade?, afirmou o ministro, para quem o senador quer esconder uma derrota tentando criar uma crise. Para Jungmann, se ACM sabia de fatos importantes que pudessem comprometer o governo, deveria ter falado antes. ?Se ACM tinha compromisso com a moralidade e sabia de irregularidades no governo, deveria ter comunicado antes?, alegou o ministro. ?Se você sabe de fato tem obrigação de denunciar, mas não quando é de seu interesse. Critico que ele faça quando lhe favorece e no limite de seus interesses.? Jungmann fez questão de dizer que o governo defende e tem feito a apuração de todas as denúncias. ?Se for necessário, o governo vai revirar suas entranhas, expor suas vísceras?, sustentou o ministro, garantindo que o governo não teme qualquer investigação. Mesmo atacando o senador, Jungmann reconheceu que Antonio Carlos Magalhães foi aliado importante para que o governo conseguisse obter, no Congresso, vitórias na aprovação de temas de seu interesse. Mas, disse, em seguida, que, na sua opinião, a aliança do governo com o PFL era possível para a execução do projeto de governo, embora reconheça que o partido é fundamental para a manutenção da base aliada.

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