Jungmann faz ´via sacra´ para tentar provar inocência

Cumprindo uma espécie de "via sacra" junto a suas bases eleitorais, em Pernambuco, o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) - apontado pelos procuradores da República José Alfredo de Paula Silva e Raquel Branquinho - como responsável por atos de improbidade administrativa - realizou, nesta quinta-feira, uma audiência pública para dizer que é inocente. O encontro aconteceu na Assembléia Legislativa. Na coletiva à imprensa, Jungmann repassou cópias dos bens declarados: em 1996, uma linha telefônica, um sítio e um saldo bancário de R$ 15 mil. Em 2006, um veículo Zafira 2001, conta corrente no Banco do Brasil com R$ 2.157, e cotas da Sociedade Paulista de Administração, no valor de R$ 15.846.O parlamentar enfrenta na Justiça Federal de 1ª Instância uma ação de improbidade administrativa movida pelos procuradores da República. Ele é apontado pelo Ministério Público Federal como integrante de um esquema irregular de contratação de agências de publicidade pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Na época, ele era ministro do Desenvolvimento Agrário, durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. De acordo com os procuradores, o esquema foi responsável por um desvio de cerca de R$ 33 milhões dos cofres públicos.Nesta semana, o advogado de Jungmann entrou com uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF) alegando que a ação deveria tramitar no STF e não na Justiça de 1ª instância. Ele argumentou que por ser parlamentar Jungmann tem direito de ser investigado e julgado originalmente perante ao Supremo. Nesta quinta-feira, os procuradores José Alfredo de Paula Silva e Raquel Branquinho divulgaram uma nota oficial na qual afirmam que o deputado não quer ser investigado, processado e julgado. Segundo eles, a reclamação de Jungmann "tem por objetivo impedir o regular prosseguimento da ação de improbidade"."O deputado federal Raul Jungmann, diferente do que declarou para todos os veículos de imprensa do País, não quer ser investigado, processado e julgado pelo Poder Judiciário pela prática de ato de improbidade. Deseja, isso sim (e a reclamação ajuizada é prova disso), simplesmente não ter sequer que responder por seus atos, pois, caso deferida a liminar, o processo será paralisado e nenhuma prova apresentada pelo Ministério Público Federal contra o parlamentar federal será analisada pelo Poder Judiciário", concluíram os procuradores na nota.

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