Jungmann critica apoio da CPT a sem-terra

O apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT) aos sem-terra, ligados ao Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que depredaram a Usina Aliança, no município de Aliança (PE), provocou uma reação no governo federal.O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, disse nesta quarta-feira que a atitude da CPT, ao participar do protesto,"tem pouco a ver com a doutrina social da Igreja."A CPT é ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Jungmann afirmou que a violência na Usina Aliança - onde foram queimados imóveis, móveis e veículo - "pouco ajuda o regime democrático."O ministro não poupou nem a CNBB. "Eu me pergunto se a violência faz parte do ideário da CPT e da CNBB."O presidente da CPT, dom Tomás Balduíno, disse que não aceita o julgamento antecipado do ministro Jungmann. "É necessário ter um posicionamento da Justiça, que tem de ouvir os envolvidos."Dom Tomás deixou claro que a CPT vai assumir as responsabilidades se for culpada pelos resultados do protesto. "A CPT não vai tirar o corpo fora e nem jogar os trabalhadores no fogo." O bispo reagiu indignado às declarações do ministro sobre o cumprimento da doutrina social da Igreja. "Sabemos muito bem a doutrina social da Igreja e nos pautamos por ela." O secretário-Geral da CNBB, dom Raymundo Damasceno, foi informado sobre as declarações do ministro do Desenvolvimento Agrário, mas disse que o assunto será analisado internamente, para posterior avaliação e resposta. "Vamos avaliar se o ministro ofendeu a CNBB."Jungmann telefonou nesta quarta-feira para o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, que anunciou o deslocamento de mais policiais para a região da Usina Aliança.Jungmann disse que nos próximos dias vai a Recife anunciar algumas medidas para tentar "acelerar" a reforma agrária no Estado. No próximo dia 17, quando os sem-terra prometem realizar manifestações em todo o País, o ministro do Desenvolvimento Agrário deverá convocar rede nacional de emissoras de rádio e televisão.Jungmann pretende fazer um balanço da reforma agrária e dizer aos brasileiros que há queda no número de invasões de terras e de mortes no campo.O ministro pretende ainda lançar uma campanha para estimular o cadastramento via Correio para famílias interessadas na reforma agrária.

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