Jungmann adota sistema de cotas para negros

O Ministério do Desenvolvimento Agrário passou a adotar oficialmente, a partir de hoje, o programa de Ações Afirmativas, que prevê o estabelecimento de uma cota de 20% para negros nos cargos comissionados e de confiança. O ministério também vai obrigar as empresas que desejarem participar de licitações a terem em seus quadros 20% de trabalhadores negros. "A sociedade cobra o surgimento de um Estado apoiado em outras bases, como a irmandade democrática e o respeito aos anseios de cada um", disse o ministro Raul Jungmann. Jungmann nomeou a professora da Universidade Federal do Pará, Zélia Amador de Deus, como coordenadora do projeto de raça e etnia do Ministério. O primeiro passo será um levantamento, realizado pela Universidade de Brasília, sobre a situação dos servidores negros dentro do Ministério. "Em seguida, vamos fazer um curso de capacitação desses servidores, para que eles possam se preparar para ocupar os cargos", acrescentou a coordenadora-geral do programa de Ações Afirmativas, Lenita Noman. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Marco Aurélio Mello, presente no evento junto com artistas, garantiu que se inclui nessa batalha por um maior espaço para a população negra no País. "Os negros estão em um estado de pobreza muito maior do que os brancos. É preciso tirar essa população das ruas, dar escola, emprego e condição de crescimento para elas", defendeu. Jungman reconhece que enfrentará várias resistências, vindas do mercado de trabalho, de parte da sociedade que ?alimenta idéias preconceituosas? e da comunidade acadêmica. Mas garante ter o apoio do presidente Fernando Henrique. "Eu estive com ele há quinze dias e ele me disse: vá em frente", afirmou.

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