Jungmann admite fracasso no combate à seca

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, aproveitou hoje o anúncio da liberaçãode R$ 398,8 milhões a agricultores familiares do Nordeste para fazer mea culpa pelo "fracasso" do governo na adoção de medidas de convívio com a seca. "A distribuição de cestas básicas e o aluguel de carros-pipa é reconhecimento do fracasso", admitiu o ministro, explicando que além da parcela que cabe ao governo Fernando Henrique Cardoso há cotas para todos os demais governos.Os erros do passado, garante o ministro, servirão para definir programas com cinco a oito anos de duração que irão "aposentar a noção de emergência, de frente (de trabalho) e tudo o que tem a ver com a indústria da seca". Esses programas, admite o ministro, não são de fácil execução dentro da atual conjuntura de ajuste fiscal.Mas o ministro insiste em ser necessário ter coragem de reconhecer também que o Nordeste melhorou. "Tem drama, tem seca tem sofrimento, mas sobretudo tem mudança." MedidasAlém de liberar mais recursos para os pequenos agricultores e assentados o governo irá propor ao Conselho Monetário Nacional (CMN) a prorrogação por dois anos para o início do pagamento de dívidas com vencimento neste ano e no começo do próximo. A renegociação da dívida seria autorizada apenas para os agricultores que perderam a safra com a intensificação da seca.A meta do governo é atender no total, direta eindiretamente, 750 mil famílias com a renegociação da dívida e a liberação de recursos. O conjunto de medidas anunciado hoje por Jungmann inclui ainda uma linha de microcrédito para agricultores com renda bruta inferior a R$ 1,5 mil anuais, moradores dos municípios atingidos pela seca. O ministro também promete investimento de R$ 113,8 milhões em obras de infra-estrutura para 759 municípios do Nordeste e do Norte de Minas Gerais.

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