Jungmann acusa delegado da PF de obstruir trabalho da CPI

O vice-presidente da CPI Mista dos Sanguessugas, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), afirmou nesta terça-feira, 21, que o delegado Diógenes Curado Filho, presidente do inquérito da Polícia Federal sobre a tentativa de compra do Dossiê Vedoin, de obstruir os trabalhos da comissão."O senhor Diógenes está obstruindo deliberadamente os trabalhos da CPI", acusou Jungmann, reclamando de que, até hoje, a comissão não recebeu a íntegra das gravações feitas pelas câmaras de segurança do hotel Íbis, em São Paulo, onde petistas foram presos com R$ 1,75 milhão que seria usado na compra do dossiê.A comissão, segundo Jungmann, "está passando por um processo de sabotagem". As câmaras registraram, entre outras imagens, a do ex-assessor da campanha do senador Aloízio Mercadante (PT) para governador, Hamilton Lacerda, levando uma mala preta que, segundo investigações da PF, conteria o dinheiro destinado ao pagamento do dossiê."Qual a razão técnica de não se ter esse vídeo na sua integralidade, transcorridos 60 dias do fato?", questionou, em conversa com jornalistas no intervalo da sessão desta terça da CPI dos Sanguessugas. Ele reconheceu que "sabotagem" é um termo forte. "Mas é preciso crescer na crítica. Estamos sendo sabotados. Acho que essa sabotagem visa impedir que a CPI chegue até onde ela deve chegar: Aos reais culpados. Não tenho a menor dúvida de que se tenta impedir que se chegue ao verdadeiro mandante."Já o presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), no entanto, rebateu as críticas de Jungmann. "Não vejo nada nesse sentido", disse Biscaia, no intervalo da sessão desta terça da CPI."Nas três vezes em que fui a Cuiabá (MT), eu vi colaboração integral. Vi de perto os trabalhos que estão sendo realizados. Não tenho nada que indique que a Polícia Federal esteja dificultando ou tentando evitar que a apuração consiga alcançar a origem do dinheiro", acrescentou o presidente da CPI."Se o vice-presidente (da CPI) achar que temos que solicitar à PF as fitas, faremos isso com absoluta rapidez", afirmou Biscaia. E acrescentou: "Acho difícil que a CPI possa chegar aonde a Polícia Federal não chegou, mas, de qualquer forma, estamos investigando."

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