Zeca Ribeiro|Divulgação
Zeca Ribeiro|Divulgação

Júlio Delgado tenta presidência da Câmara pela terceira vez

Desta vez, deputado do PSB não contará com o apoio da cúpula de seu partido nem de integrantes da própria bancada

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Com um perfil de “procurador” em razão do histórico de atuação no Conselho de Ética da Câmara, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) disputará pela terceira vez a presidência da Câmara dos Deputados. Suas chances, contudo, são consideradas ínfimas, uma vez que na briga deste ano não contará com o apoio da cúpula de seu partido nem de integrantes da própria bancada.

“Ao contrário das últimas vezes, ele não nos procurou. Tem o direito de lançar a candidatura avulsa, não haverá nenhuma retaliação, mas o partido já está fechado com o Rodrigo Maia”, ressaltou ao Estado o presidente do PSB, Carlos Siqueira.

Na última vez que disputou à presidência da Câmara, em 2015, Delgado, além do PSB, contou com o apoio do PSDB, PPS e PV. Naquela ocasião obteve 100 votos, ficando em terceiro colocado atrás do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Dois anos antes, Delgado também tentou chegar ao comando da Casa, mas foi derrotado pelo então deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-AL).

Apesar da insistência, integrantes do baixo clero da Casa consideram que Delgado nunca terá êxito na tentativa de comandar a Câmara. Em épocas de Operação Lava Jato batendo na porta do Congresso Nacional, muitos lembram da atuação do deputado em processos de quebra de decoro parlamentar apresentados nos últimos anos no Conselho de Ética. Entre os mais notórios está o parecer apresentado por ele, em outubro de 2005, pela cassação do então deputado José Dirceu (PT-SP), julgado na ocasião pelo envolvimento no esquema do mensalão. “Zé Dirceu fez conluio com Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) para conseguir dinheiro para favorecer votações na Câmara dos Deputados em favor de projetos de interesse do governo”, afirmou Delgado ao ler seu parecer. O mesmo destino de Dirceu se repetiu nove anos depois com o ex-secretário de Comunicação do PT e ex-vice-presidente da Câmara André Vargas (ex-PT-PR). O relatório apresentado pelo socialista no Conselho deu início à derrocada de Vargas, atualmente preso em decorrência de envolvimento na Lava Jato.

Também está na memória dos parlamentares, a vibração de Delgado após a deputada Tia Eron (PRB-BA) proferir, em julho do ano passado, o voto decisivo no colegiado pela cassação de Cunha. Apesar de não ter sido o relator do processo do peemedebista, Delgado e Cunha protagonizaram vários bate bocas na comissão. Em algumas ocasiões, o peemedebista chegou a fazer chacota das tentativas de Delgado de presidir a Câmara. “Tenho certeza que Vossa Excelência vai disputar todas e não vai ganhar nenhuma”, disparou Cunha no colegiado. O peemedebista também está preso em decorrência dos desdobramentos da Lava Jato.

“Vamos colocar no debate, no dia da votação, para refazer essa imprensão de que eu seria algoz de deputados. Não sou”, afirmou Delgado ao Estado. “Eu vou ter meus votos, mas lógico que o espírito coorportativo espanta”, emendou. 

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