Julgamento do STF tem pouco impacto no governo,avaliam políticos

Depois de um 2005 de ataques semtréguas para fazer sangrar o governo do presidente Luiz InácioLula da Silva e comprometer seu projeto de reeleição, ospartidos de oposição não se mobilizaram para reeditar odesgaste político no julgamento do mensalão no Supremo TribunalFederal. Qualquer que seja a decisão do STF sobre a denúncia doprocurador-geral da República, os políticos, mesmo os deoposição, não vêem muito impacto sobre o atual governo. Parlamentares dão duas explicações para o aparentedesânimo: a avaliação de que o tema dificilmente atinge opresidente e a atual desmobilização do PSDB e do DEM (ex-PFL),em séria crise conjugal. "A oposição cochilou. Não houve articulação. A oposiçãoentendeu que a parte dela já foi feita quando, há dois anos,atuou na denúncia", afirmou à Reuters o senador Marcone Perillo(PSDB-GO). "O que era para dar efeito político deu quando nósdescobrimos as provas. Claro que o tempo demasiado entre a CPIe a denúncia deu uma arrefecida no clima. Tudo isso não afetaeste governo, mas atinge o governo da época. Hoje, não tem maiso momento político de antes, até porque as próximas eleiçõesestão muito distantes", ponderou o deputado Osmar Serraglio(PMDB-PR). Apesar de aliado, Serraglio atuou como relator da CPI dosCorreios, instalada na época para investigar o escândalo, deforma mais independente em relação ao governo. "Passou a fase de atingir objetivos eleitorais com isso",disse o deputado Alceni Guerra (DEM-PR). "Claro que a execraçãopública dos acusados através da mídia já é uma condenação e,por isso, ruim para eles", completou. O cenário atual não significa, porém, que o governo estejalivre de futuras investidas políticas. O STF deve concluir ojulgamento na sexta-feira e a oposição confia na aceitação dadenúncia contra os 40 acusados no suposto esquema de suborno. O senador Heráclito Fortes, também membro da CPI dosCorreios naquela ocasião, discorda dos colegas. Ele foi o únicoparlamentar a tratar do assunto no plenário do Senado naquarta-feira, após o início da primeira sessão no STF. "O dia esperado chegou. O José Dirceu, que brigava por umaanistia, agora vai ter de brigar para escapar da justiça. Achoque afeta o governo, sim", afirmou. Para diversos políticos, o julgamento, em si, não é nocivoa Lula, mas pode se transformar numa dor de cabeça quandocombinado a outras dificuldades e polêmicas enfrentadas porele: as vaias que passou a receber nos últimos meses, a criseaérea e o trágico acidente com o Airbus da TAM, em julhopassado.

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