Andre Penner/AP
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Julgamento de Lula foi o maior evento político nas redes desde o impeachment

Segundo dados da FGV, sessão do TRF-4 que decidiu sobre futuro de ex-presidente motivou 1,21 milhão de menções no Twitter na última quarta-feira (24)

Thaís Barcellos, Estadão Conteúdo

25 Janeiro 2018 | 18h50

O julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) motivou 1,21 milhão de menções no Twitter nesta quarta-feira (24). Assim, o evento configurou-se no maior acontecimento político na rede social desde a abertura do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, segundo levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (Dapp) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado com exclusividade ao Broadcast. A abertura do processo de impeachment, segundo a instituição, mobilizou 1,5 milhão de menções também em 24 horas.

Em apenas 24 horas, o volume de menções ao julgamento foi quase o dobro do registrado em sete dias anteriormente monitorados - foram 640 mil menções entre 11 e 17 de janeiro. A partir de 9 horas de ontem, logo após o início da sessão no TRF-4, o volume de referências ao julgamento dobrou em relação às primeiras horas do dia e continuou em ascensão até atingir o pico entre 17 horas e 19 horas, com 243 mil tuítes. A sessão do TRF-4 terminou um pouco antes das 18 horas com a confirmação, por unanimidade, da condenação de Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e com o aumento da pena de 9 anos e meio para 12 anos e um mês.

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No ápice da discussão, a imprensa tradicional se projetou como fonte central de impacto, destacando a reação dos movimentos a favor e contra Lula. "O pico de menções entre as 17h e 19h (243 mil tuítes) obteve, portanto, cobertura temática fortemente noticiosa, para além do elevado volume de críticas à decisão do TRF-4 (por parte de grupos pró-Lula) e de comemorações (por parte de grupos anti-Lula)."

 

No exterior, ontem houve 254 mil menções no Twitter ao julgamento de Lula, com postagens identificadas em dezenas de países dos cinco continentes.

A principal hashtag utilizada durante o debate no Twitter sobre o julgamento foi #molusconacadeia, promovida pelo movimento Vem pra Rua e que teve mais de 206 mil menções. Em segundo lugar ficou #lulanacadeia, seguido por #cadêaprova, usada pelos apoiadores de Lula, que contabilizaram 126 mil e 116 mil citações, respectivamente.

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Por regiões, São Paulo (26%), Rio de Janeiro (16%) e Rio Grande do Sul (9%) reuniram, em termos absolutos, a maior parte das menções durante toda a quarta-feira, sem variação na comparação com o dia anterior. Quando considerada a proporção entre as publicação sobre o julgamento e as postagens totais de cada Estado, Rio Grande do Norte, onde a sessão no TRF-4 chegou a dominar 10% dos tuítes, Bahia (que chegou a 8%) e Ceará (7%) se destacaram.

Presidenciáveis. A DAPP/FGV destaca o crescimento de atores ligados à esquerda, como Ciro Gomes, Fernando Haddad, Guilherme Boulos e Manuela Dávila. "Essa tendência indica a intensificação do debate sobre que atores poderiam vir a capitalizar a eventual saída de Lula da corrida eleitoral."

Segundo a pesquisa, a análise das redes evidencia que, por ora, o deputado Jair Bolsonaro é o principal beneficiário do julgamento, apresentando o maior aumento de engajamento entre os demais atores políticos. "A questão é se, com a eventual saída de Lula, essa tendência se mantém ou se, ao contrário, seu desempenho cairá."

Os pesquisadores afirmam, que até o dia do julgamentos, os nomes mais citados entre os possíveis candidatos ao Planalto eram o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital paulista, João Doria, ambos do PSDB. "Alckmin destaca análises sobre a viabilidade dos candidatos de centro e Doria foi bastante citado ao longo da semana por causa da ida ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Há também que se analisar, segundo os pesquisadores, se ainda há espaço para outsiders, como o apresentador Luciano Huck ou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa.

Mercado. De acordo com o levantamento, houve o maior número de menções à Bolsa brasileira desde o início da mensuração, superando o dia da condenação de Lula pelo juiz Sergio Moro e o dia do áudio de Joesley Batista, da JBS, que implicou o presidente Michel Temer. O evento mobilizou 12.304 citações ao recorde histórico do Ibovespa (83 mil pontos), ao otimismo do mercado financeiro e à queda do dólar, que fechou na casa dos R$ 3,17, no menor patamar em mais de três meses.

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