Julgamento de Eldorado dos Carajás preocupa governo

O governobrasileiro está preocupado com a possibilidade de a absolvição de sete sargentos queparticiparam do confronto de Eldorado do Carajás, onde morreram 19 sem-terra,influenciar na decisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada àOrganização das Nações Unidas (ONU). O temor é que o País seja condenado a pagarindenizações, além de ser responsabilizado pelo conflito, ocorrido em 17 de abril de1996.Segundo a subprocuradora-geral da República e dos Direitos do Cidadão, Maria ElianeMenezes de Farias, que está acompanhando o julgamento em Belém, desde o dia 14 de maio, a sentença em favor dos sargentos poderá serestendida aos 17 tenentes que serão levados à júri amanhã, e aos 128 soldados que irãosentar no banco dos réus no dia 10 próximo. ?Corremos o risco de não se punir todosaqueles que, de algum modo, concorreram para o resultado danoso da operaçãopolicial?, afirma Eliane. A subprocuradora explicou que na comissão, o caso aguarda, apenas o resultado do julgamento para tomar uma decisão final sobre o confronto. ?Ogoverno brasileiro está sendo responsabilizado por não ter tomado medidas preventivaspara evitar ou diminuir a violência rural no sul do Pará e, se for condenado, asindenizações serão pagas pela União?, afirmou Eliane.A preocupação do governo é tamanha, que o julgamento de hoje será acompanhadonão só pela subprocuradora, como pelo assessor especial do Ministério da Justiça,Marcos Pinta Gama. O temor é que o próprio Ministério Público do Pará se sintasatisfeito em ter provocado a condenação do coronel Mário Colares Pantoja a 228 anosde prisão e do major José Maria Oliveira, a 158 anos. ?Não se pode julgar apenas quemordenou o confronto, mas também os responsáveis pelas mortes dos sem-terra?, afirmaMaria Eliane.Um dos fatos observado pela subprocuradora é a falta de testemunhas de acusação nojulgamento dos sargentos. Em pelo menos três depoimentos, alguns nomes dosmilitares foram citados, mas nenhuma das pessoas foram ouvidas em juízo. ?Não sepode contentar exclusivamente com a condenação de um major e de um coronel queseriam os mandantes, uma vez que foi afastada a responsabilidade do governo?, diz asubprocuradora.

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