''Julgamento de Battisti na Itália foi uma farsa''

ENTREVISTA - Fred Vargas: historiadora

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2009 | 00h00

Defensora do extremista Cesare Battisti, a escritora, arqueóloga e historiadora francesa Fred Vargas afirma que ele foi submetido a um julgamento viciado na Itália. Com oito livros publicados, ela está no Brasil como coordenadora da cruzada pela libertação de Battisti, condenado à prisão perpétua por quatro homicídios na Itália na década de 70. A seguir, trechos de entrevista concedida ao Estado.A senhora não considera absurdo que Cesare Battisti fique impune nos quatro crimes pelos quais foi condenado?Battisti não cometeu os crimes. O julgamento foi uma farsa. Seus advogados atuaram com falsos mandatos e se prestaram a um papel sujo. Ele foi condenado à revelia num processo totalmente viciado.Mas a Itália é uma democracia...O país viveu um período secreto nos anos de chumbo da década de 70. A Anistia Internacional denunciou o emprego sistemático de torturas por dez anos. A justiça italiana guarda segredos inconfessáveis daquele período nebuloso, como o de usar "arrependidos" como única prova para incriminar pessoas. Foi o caso de Pietro Mutti, chefe de uma facção do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), que incriminou Battisti para se safar.O que lhe dá a certeza da inocência de Battisti?Em junho de 78, o PAC matou Antônio Santoro (agente penitenciário acusado de maltratar presos políticos). Veementemente contra a execução, Battisti discutiu asperamente com Pietro Mutti, o maior defensor. Voto vencido, Battisti formou uma dissidência e estava fora do PAC quando foram cometidos os outros três assassinatos dos quais é acusado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.