Julgamento da chapa Dilma-Temer mantido para 6 de junho

Ministro Luiz Fux, vice-presidente do TSE, confirma a data

Rafael Moraes Moura e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2017 | 15h28

Brasília - Em meio ao aprofundamento da crise política, o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Fux, disse nesta quinta-feira, que está mantida a data de 6 de junho para a retomada do julgamento da ação que apura se a chapa de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB) cometeu abuso de poder político e econômico para se reeleger em 2014.

Indagado pelo Estado se a data prevista para o julgamento está mantida, Fux limitou-se a dizer: "Está".

O presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, deve retornar a Brasília na noite desta quinta-feira, depois de cumprir viagem oficial na Rússia, onde participou de conferência sobre eleições.

As novas revelações trazidas pela delação da JBS aprofundaram a crise política em Brasília e podem complicar a situação de Temer no TSE, avaliam interlocutores dos integrantes da Corte Eleitoral ouvidos pelo Estado.

A delação premiada de Joesley Batista e de seu irmão Wesley não faz parte do processo que apura se a chapa Dilma-Temer cometeu abuso de poder político e econômico para se reeleger em 2014. Mesmo assim, fontes que acompanham de perto o processo no TSE ressaltam que pode haver uma contaminação política no resultado do julgamento, que será retomado no dia 6 de junho.

"As revelações podem impressionar e impactar a cabeça de cada ministro. Mas faltam 20 dias (para o julgamento), as coisas podem mudar até lá", disse um ex-integrante da Corte Eleitoral que pediu para não ser identificado.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o conteúdo explosivo da JBS pode esvaziar a alegação da defesa de Temer de que a manutenção do presidente no cargo preservaria a estabilidade política do País.

"Deve ter-se especialmente em conta (...) a atual situação do País, que em nada recomenda medida dessa extensão, em virtude das consequências imediatas que seriam por ela acarretadas, tanto na estabilidade política como no imprevisível comportamento da economia", dizem os advogados de Temer em suas alegações finais, ao alertarem para as consequências da cassação do presidente.

No entanto, o aprofundamento da crise política, a não aprovação de reformas consideradas essenciais pelo Planalto para colocar a economia nos eixos e os baixíssimos índices de aprovação do governo podem criar uma "tempestade perfeita" e lançar mais incertezas sobre a situação de Temer no TSE, pondera um ministro do STF ouvido reservadamente pelo Estado.

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