Breno Pires|Estadão
Breno Pires|Estadão

Juízes e procuradores fazem ato contra pacote anticorrupção em Brasília e SP

Manifestações são reação à aprovação na Câmara de propostas que enfraquecem o projeto das medidas anticorrupção propostas pelo MP

Breno Pires e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2016 | 15h58

BRASÍLIA - Enquanto o Supremo Tribunal Federal analisa se aceita denúncia contra o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), um protesto do lado de fora do prédio principal do STF reuniu, nesta quinta-feira, 1, pelo menos 200 membros da Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (Frentas) e de outras entidades de promotores e juízes no Brasil. Magistrados e membros do Ministério Público também se reuniram por cerca de uma hora em frente ao fórum João Mendes, no Centro de São Paulo. 

Os atos são a favor da independência do sistema judiciário e contra as medidas tomadas na Câmara que enfraquecem o projeto das medidas anticorrupção propostas pelo MP e apoiada por 2 milhões de assinaturas. Eles entregaram carta pública marcando posição.

"Nós que temos a obrigação de investigar e punir se for o caso, nós estamos sendo perseguidos, a sociedade levando um tapa na cara, em um desvirtuamento total do projeto das dez medidas acolhido pela população brasileira", afirmou Norma Cavalcanti, presidente da Frentas - entidade que convocou o ato - e da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp).

O presidente da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), Jayme Martins de Oliveira Neto - que assumirá em 15 de dezembro a presidência da Associação de Magistrados Brasileiros (AMB) - fez coro às críticas.

"Os juízes vieram aqui demonstrar ao Supremo essa preocupação que atinge ao Brasil inteiro com as iniciativas que tentam atingir ao Estado Democrático de Direito, atingir ao Poder Judiciário enquanto instituição. O respeito à independência do Poder Judiciário está em jogo nesse momento", afirmou Jayme Martins de Oliveira Neto, citando a lei de abuso de autoridade como exemplo, que está tramitando no Senado.

"O crime de interpretação, punir o juiz pelo ato de interpretar a lei, é simplesmente aniquilar o poder judiário", afirmou o próximop presidente da AMB. 

O ato de São Paulo foi organizado pela Apamagis e pela Associação Paulista do Ministério Público. 

"Não se trata de uma manifestação corporativista mas de defesa de prerrogativas da sociedade", disse o presidente da Apamagis Oscild de Lima Júnior.  Segundo ele, a possibilidade de um juiz ser criminalizado por uma decisão expõe o magistrado e  compromete a Justiça. "Agora vamos trabalhar para modificar o texto nas comissões, com mais calma", disse.

O procurador de justiça e 1º vice-presidente da Associação Paulista do Ministério Público, Mario érgio Christino, o ato desta quinta visa "conscientizar a sociedade da gravidade das propostas aprovadas que afetam diretamente o trabalho do MP e da magistratura". Segundo ele, deputados "querem roubar o MP da sociedade". 

Christino disse ainda que as duas associaçõs que organizaram os atos nesta quinta vão participar dos protestos organizados para o domingo, 4, pelos movimentos Nas Ruas,  Intervencionistas, Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem pra Rua.

Embate. O ministro Gilmar Mendes, do STF, criticou a manifestação. "Achei engraçado, imagine se o povo fosse para todas as varas fazer esse tipo de manifestação, como reagiriam? Ainda bem que estão lidando com um colegiado de pessoas experientes", declarou. O comentário foi feito durante o julgamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

"Ao menos se viessem por um debate nobre, sempre que ocorressem discussões sobre casos de corrupção, mas o pretexto era em função de um desassossego, de um incômodo, ou por questões de salário", provocou Gilmar.

A presidente do Supremo, Cármen Lúcia, interrompeu o ministro para defender os magistrados. "Acho que não ministro, para fazer Justiça. Vieram com muita organização, muito ordeiros, trazer preocupações que são legítimas. Nada se tratou de remuneração", rebateu a presidente. "Esperamos que venham sempre em sessões sobre temas de corrupção ou outros", insistiu o ministro.

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