Juízes defendem, agora, o "diálogo até a medula"

O presidente do Colégio dos Presidentes de Tribunais de Justiça dos Estados, desembargador aposentado José Fernandes Filho, declarou, na Câmara dos Deputados, que quando afirma "defender a magistratura até a medula", está na verdade dizendo-se "favorável ao diálogo até a medula", em favor dos interesses dos magistrados nas negociações sobre a reforma da Previdência. Ao sair de um encontro com o relator da proposta de reforma da Previdência, deputado José Pimentel (PT-CE), Fernandes Filho lembrou que o diálogo "está sendo praticado". Embora não tenha condenado a greve anunciada para agosto pelos juízes estaduais, o desembargador destacou que "nunca" se manifestou "a favor" da paralisação. Lembrou que o Colégio dos Presidentes de Tribunais de Justiça, após reunir-se ontem em Brasília, divulgou nota pregando o diálogo e declarando confiança na intermediação que está sendo feita pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Maurício Corrêa. Ele condenou a intenção dos juízes estaduais de fazerem greve como forma de pressionar o Congresso a modificar a proposta de reforma da Previdência nos pontos relativos à remuneração dos magistrados. Fernandes Filho assegurou que os juízes não estão fazendo reivindicação salarial, e sim apresentando "um problema de princípio". Ele disse esperar que o bom senso prevaleça e que a opinião pública entenda que as prerrogativas dos magistrados são importantes para a sociedade, porque "garantem dignidade e vitaliciedade". O desembargador afirmou que não há explicação para a proposta de "rebaixar o que a Constituição já deu". Segundo Fernandes Filho, não é possível reduzir o salário dos desembargadores nos Estados abaixo de 90,25% do salário de ministro do Supremo Tribunal Federal.

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