Juíza teme que corte no orçamento atinja TRT paulista

A juíza Maria Aparecida Pellegrina, presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, afirmou hoje, durante audiência com o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Francisco Fausto, que o corte de 62,5% no orçamento do Poder Judiciário pode se transformar em um "entrave sério" se atingir as verbas já destinadas para conclusão do Fórum Trabalhista de São Paulo, o prédio que se transformou no símbolo de um dos maiores episódios de corrupção da história recente do País."Na fase em que se encontram as obras, não se justifica em hipótese alguma a sua interrupção", afirmou a juíza. "Todo material de grande porte, como elevadores e equipamentos de ar-condicionado, já foi adquirido e uma interrupção agora poderá fazer com que eles se estraguem e se percam."Ela entregou a presidente do TST uma cópia do oitavo relatório de prestação de contas das obras. O mesmo relatório foi entregue também hoje para os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) Valmir Campelo e Adylsom Motta. De acordo com o relatório, foram investidos durante o mês de abril quase R$ 4,5 milhões na construção, onde trabalham atualmente mais de 400 operários. As obras já entraram na fase de acabamento e a previsão é de que até o final do ano o prédio esteja concluído. Desde que a construção foi retomada, em setembro do ano passado, já foram realizados 39,74% dos serviços previstos, com um investimento de R$ 21.850.513,03. O investimento previsto é de R$ 55 milhões. O Fórum vai abrigar as 79 varas trabalhistas que funcionam na região central de São Paulo e outras 11 em processo de criação no Congresso Nacional. "Com a mudança, a Justiça do Trabalho vai deixar de gastar R$ 500 mil por mês só com o pagamento do aluguel dos prédios onde hoje estão instaladas as varas", disse a juíza. As obras do Fórum foram paralisadas em 1998, quando estourou o escândalo do desvio do dinheiro que deveria ser destinado à construção. O esquema de corrupção capitaneado pelo juiz Nicolau dos Santos Neto foi responsável pelo desvio de mais de R$ 169 milhões. Santos Neto, condenado a oito anos de prisão, está preso na Polícia Federal (PF), em São Paulo. Ele já cumpriu dois anos da pena e este ano, quando completar 28 meses de prisão, poderá requerer sursis e cumprir o resto em liberdade vigiada.

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