Juíza ordena segredo em processo de assédio sexual no TRT

Os autos do processo administrativo que investiga a acusação de assédio sexual do juiz Renato Mehanna Khamis contra funcionárias do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo foram retirados esta semana do site da Revista Consultor Jurídico na Internet, depois que a juíza Maria Doralice Novaes, também do TRT, decretou segredo de justiça sobre o processo. A revista mantinha no ar, há mais de uma semana, trechos detalhados dos depoimentos das funcionárias do tribunal S.A.M, A.N.S e L.L.M. que alegam ter sido assediadas pelo juiz. ?Decidimos retirar do site os autos do processo, mesmo que ainda tenhamos dúvidas se a juíza do Trabalho teria competência para decidir sobre esta matéria, que cabe à justiça comum?, afirmou o editor da revista, Márcio Chaer. Nos relatos, a funcionária S.A.M. contou que o juiz, enquanto a entrevistava em 1995, tentou aborda-la de várias maneiras. ?(Ele) alisava minha mão enquanto me fazia propostas e, além disso, tentou beijar minha boca e ao me esquivar fui beijada no rosto?, contou ela. No dia seguinte, voltou ao gabinete e teria sido novamente assediada. ?(...) passou a mão em meu seio e, apesar de tê-lo impedido a tempo, encostou a ponta do polegar em meu seio esquerdo?, acusou. A.N.S. também acusou o juiz de assedia-la, em março de 2001, dentro do gabinete dele. ?Quando perguntei se ele estava satisfeito com o meu trabalho, o mesmo se direcionou a mim, começou a fazer gestos obscenos dizendo que ainda não tinha sentido o meu trabalho e, repetindo o gesto, disse que quando sentisse iria me dizer, foi então quando se aproximou para lamber minha nuca?, denunciou. L.L.M. contou que, em 1995, foi repetidamente assediada por Khamis. ?Interpondo-se entre eu e a porta, impediu-me de sair. (...) Passou a mão nos meus seios e nádegas?, acusou.O juiz se defende e acusa as três de estarem sendo utilizadas em um complô com ?fins escusos? dentro do tribunal. Em uma longa defesa, com 28 pontos, anexada aos autos do processo, ele se defende de todas as acusações e arrola o testemunho de juizes e juízas que trabalhavam em salas contíguas à sua durante os períodos dos supostos assédios. Ele levanta dúvidas sobre o verdadeiro objetivo das denúncias. ?Ninguém em sã consciência aguardaria cinco ou seis anos para, só então, se verdadeiro, denunciar um abuso que tanto mal-estar teria causado?, afirma Khamis. Chaer, editor da revista que acompanha de perto os bastidores do mundo jurídico, admite que o envolvimento do nome de Khamis nas denúncias pode ter efeitos secundários ?devastadores?. ?Há uma guerra política declarada, entre dois grupos de magistrados, pelo controle político do TRT, às vésperas da sucessão no tribunal?, avalia ele. Khamis é peça-chave nas articulações de uma destes grupos.

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