Juíza manda PF devolver documentos apreendidos na Caixa

Atrás de novas pistas do caso Waldomiro Diniz, a Polícia Federal vasculhou nesta quinta-feira os sete andares do edifício sede da Caixa Econômica Federal (CEF) para apreender documentos do banco referentes aos contratos de gerenciamento de loterias com a empresa Gtech. A operação provocou constrangimento no governo, uma vez que foi feita por 30 homens da PF, chefiados pelo delegado Antônio Cézar Nunes, graças a uma ordem da juíza Maria de Fátima Costa, esposa do advogado geral da União, Alvaro Ribeiro da Costa.Horas depois da operação, a ordem judicial acabou sendo derrubada pela própria juíza porque os agentes da PF tinham extrapolado a ordem judicial, levando sem autorização os discos rígidos dos computadores dos diretores da Caixa. "A Caixa está indignada, uma vez que sempre forneceu todas as informações e documentos necessários ao processo", protestou a Caixa em nota. A Caixa pediu à mesma juíza a devolução dos computadores levados indevidamente. O pedido foi acatado e à noite funcionários da Caixa, acompanhados de um oficial de Justiça, foram à superintendência da PF em Brasília resgatar os computadores levados indevidamente.A juíza aceitou rapidamente o argumento da Caixa porque foi convencida dos excessos cometidos pela Polícia. Segundo a juíza, a instituição financeira ofereceu os meios necessários para a obtenção imediata de cópias integrais dos arquivos de computadores restritos ao ano de 2003. Mas os policiais não aceitaram e levaram todo o equipamento. Segundo a Caixa, os computadores levados pela PF continham informações sigilosas, negociais e estratégicas para à instituição e não faziam parte das investigações. Além da decisão da juíza, o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, determinou que a PF devolvesse imediatamente os equipamentos.A busca dos documentos foi pedida pelo procurador federal, José Robalinho Cavalcanti, que investiga denúncias de participação do ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz, na intermediação dos contratos entre a multinacional Gtech e a Caixa. Este novo constrangimento para o governo ocorreu exatos seis meses depois que Waldomiro Diniz foi denunciado e começou a ser investigado por tráfico de influência e improbidade administrativa. A ação foi retomada há três semanas depois que a Justiça Federal rejeitou as denúncias feitas pelo procurador Marcelo Serra Azul contra o atual presidente da Caixa e a diretoria da instituição.

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