Juíza decreta prisão de lideranças do MST baiano

"Perdi o São João". A reação decepcionada é do coordenador estadual do Movimento dos Sem Terra (MST), Valmir Assunção, ao tomar conhecimento da decretação de sua prisão temporária por 30 dias pela juíza Jaqueline Moreira Kruchewsky, da comarca de Alcobaça, a 944 quilômetros da capital baiana. Assunção e outros nove militantes do movimento (que também tiveram a prisão decretada) estão sendo acusados de obstruir o trabalho da delegacia de polícia de Alcobaça que apura a tentativa de assassinato do agricultor José Martins Oliveira, integrante de um grupo dissidente do MST.Assunção nega que tenha dificultado a ação da polícia, achando-se vítima de perseguição política. "Sou uma liderança dos sem terra e além disso candidato a deputado estadual do PT", disse, insinuando que o Judiciário de Alcobaça decretou as prisões pressionado pelo prefeito do município Wilson Brito Filho (PPB) que apoia dois candidatos a deputado ligados ao ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL). "Ele (Wilson) sempre manobrou para dividir o MST na região e agora quer prejudicar minha eleição", acusou o sem terra.A tentativa de assassinato de Oliveira ocorreu no dia 8 de maio no acampamento do MST numa fazenda ocupada, situada entre Alcobaça e o município vizinho de Prado. No local existem 280 famílias, das quais dez não seguem a liderança do MST. O agricultor Oliveira, do grupo dissidente, brigou com um homem conhecido como "Boca de Moela" que estava armado com uma espingarda e disparou atingindo o rival na clavícula. Ele sobreviveu. Quando o delegado de Alcobaça Manoel Andretto tentou entrar no acampamento para apurar o caso teria sido impedido pelos sem terra. Assim, requereu na Justiça a prisão temporária dos líderes do MST para prosseguir a investigação.Assunção garante que não estava no acampamento quando o delegado tentou entrar no local. "Sempre fui uma pessoa de diálogo, nunca gostei de confusão", disse. Ele aguarda o julgamento de um pedido de habeas corpus, impetrado hoje no Tribunal de Justiça da Bahia pelo escritório estadual do MST pedindo relaxamento da prisão dos seus integrantes. "Espero a revogação da prisão para me apresentar na delegacia de Alcobaça", disse.

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