Marcio Fernandes/AE
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Juíza dá início a julgamento de acusados de matar cacique guarani

Defesa teve recusada estratégia de apontar a vítima, Marcos Veron, como não índio

Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2011 | 20h45

A juíza federal Paula Mantovani rejeitou nesta segunda feira a primeira estratégia da defesa na abertura do julgamento dos três acusados pelo assassinato do índio Marcos Veron, cacique guarani kaiowaa morto em janeiro de 2003 na cidade de Juti (MS).

 

Os advogados pretendiam anular a realização do júri pela Justiça Federal em São Paulo sob argumento de que a vítima não era índio, portanto a competência para o caso seria da Justiça estadual do Mato Grosso do Sul.

 

A juíza não acolheu o pedido e deu início ao júri, na sede da Justiça Federal em São Paulo. O julgamento é marcado por muita expectativa. Cerca de 50 índios se deslocaram de ônibus até São Paulo e estão à frente do prédio da Justiça, próximo à Avenida Paulista. Seis homens e uma mulher foram sorteados para o corpo de jurados.

 

Na acusação o procurador regional da República Luiz Carlos Santos Gonçalves vai pedir pena máxima para os réus - Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos e Jorge Cristaldo Insabralde, funcionários da Fazenda Brasília Sul, localizada em Juti, próximo a Dourados (MS). Na defesa, os advogados Alexandre de Sá Domingues e Josephino Ujacow sustentam negativa de autoria "pela inconsistência de provas". Segundo os advogados, Veron teria sido morto por um outro índio durante discussão sobre o fracasso da invasão da Brasília Sul.

 

A defesa alega que Veron, de 72 anos, era um "falso cacique, não era índio e nem brasileiro". "Ele era funcionário público aposentado do Ministério da Agricultura e recebia aposentadoria em uma conta corrente do Banco do Brasil", dizem os advogados. O júri prossegue nesta terça com os depoimentos de sete índios que, segundo a procuradoria, foram torturados e vítimas de tentativa de assassinato.

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