Juíza confirma legalidade de grampos no RS

Informação enfraquece denúncia de ex-ouvidor contra governo Yeda Crusius

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2009 | 00h00

A Justiça do Rio Grande do Sul confirmou ontem à seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS) que os grampos denunciados como ilegais pelo ex-ouvidor de Segurança Pública do Estado Adão Paiani foram feitos com autorização da juíza eleitoral de Lajeado, Nara Cristina Neumann Cano Saraiva, a pedido do Ministério Público Eleitoral. A informação, divulgada pelo corregedor-geral de Justiça, Luiz Felipe Brasil Santos, desmente as acusações que Paiani havia feito na sexta-feira passada, quando entregou um CD com a interceptação de seis conversas telefônicas à OAB-RS. O ex-ouvidor, que ficou sabendo da sua demissão pelo Diário Oficial, afirmou, na ocasião, que os grampos eram ilegais, haviam sido vazados por fonte que preservou e mostravam pessoas próximas à governadora Yeda Crusius (PSDB) praticando tráfico de influência. As conversas gravadas tinham como interlocutores o chefe do gabinete de Yeda, Ricardo Lied, e seu primo, o ex-vereador de Lajeado Márcio Klaus. Eles comentavam a transferência do comandante da Brigada Militar da cidade do Vale do Taquari. Os áudios foram ouvidos no domingo, em reunião fechada, por 14 conselheiros da OAB-RS, que não encontraram indícios de tráfico de influência.Na segunda-feira, a OAB-RS encaminhou pedido formal à Justiça para que indicasse se houve alguma autorização para a interceptação dos telefonemas citados por Paiani. Na resposta, a juíza informou que emitiu a autorização em 5 de setembro do ano passado, para investigação da campanha de Klaus, que acabou sendo cassado neste ano por crime eleitoral. O presidente da OAB-RS, Cláudio Lamachia, admitiu que a informação enfraquece a denúncia de Paiani e convidou o ex-ouvidor para pretar hoje esclarecimentos sobre o assunto. Paiani não concedeu entrevistas na tarde de ontem.

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