Juiza barra pagamento de precatório no Maranhão

Decisão ocorre após suspeitas de que doleiro preso da Operação Lava Jato teria atuado no governo Roseana Sarney

Ricardo Galhardo, Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2014 | 02h37

A juíza da 1.ª Vara da Fazenda Pública de São Luís, Luzia Madeiro Neponucena, determinou ontem que o governo do Maranhão suspenda imediatamente o pagamento das parcelas de um precatório de R$ 120 milhões às construtoras UTC e Constran, investigadas por envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato.

Ainda ontem o juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba (PR), remeteu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a documentação sobre o pagamento do precatório em função do direito a foro especial da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), responsável por autorizar o pagamento às construtoras.

Em depoimento à Polícia Federal, a contadora Meire Bonfim da Silva Poza ligou Youssef ao pagamento de propinas a integrantes do governo do Maranhão. Segundo a contadora, o doleiro negociou diretamente, a mando da UTC e da Constran, o pagamento de R$ 6 milhões em propinas para que o governo do Maranhão antecipasse o pagamento do precatório de R$ 120 milhões às empresas.

Sem fila. Conforme o depoimento de Meire Poza, após a propina, a fila para recebimento do precatório foi "furada" e o pagamento foi liberado em parcelas - cada uma delas no valor de R$ 4,7 milhões.

Até agora, foram pagos R$ 33 milhões. A última das parcelas, conforme o Portal da Transparência do Maranhão, foi paga no dia 6. Em ofício ao Superior Tribunal de Justiça, o juiz Moro disse que a PF não está autorizada a investigar Roseane e que ainda é "prematuro" atribuir-lhe participação direta no episódio. Também ontem, deputados de oposição a Roseana na Assembleia Legislativa pediram uma CPI para investigar o caso.

A governadora negou o recebimento de propinas e classificou as denúncias como fruto da disputa eleitoral. "Estou indignada. Não vou admitir que meu nome seja colocado para poder ser manobra política", disse a governadora maranhense.

"Desafio qualquer empreiteiro, qualquer construtora, qualquer prestador de serviço a dizer que algum dia me deu algum dinheiro que possa ter me comprado. Não sou mulher de ser comprada. Estou na política porque é a minha missão, que Deus me deu", afirmou Roseana.

Alberto Yousseff é apontado como o chefe de um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões. A Operação Lava Jato desbaratou o esquema em 17 de março deste ano. / COLABORARAM CARLA ARAÚJO e CLODOALDO CORRÊA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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