Juíza adota tom maternal durante julgamento

Apesar de os acusados de matar o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos terem acima de 20 anos, a juíza Sandra de Santis tratou-os, durante o julgamento, como crianças. Com voz amável, ouviu seus relatos sobre o crime, mas perguntou particularidades de suas vidas, como em que colégios tinham estudado e se continuavam a namorar as mesmas garotas da época do crime.Em alguns momentos, serviu de conselheiras dos rapazes. Durante o interrogatório de Max Rogério Alves, por exemplo, que segurava o choro ao relatar detalhadamente o crime cometido, foi um desses momentos. "Pode chorar, homem também chora", afirmou. Ela também fez observações pessoais para completar partes dos interrogatórios dos garotos. Após Eron Chaves de Oliveira pedir perdão pelo sofrimento da família de Galdino, Sandra completou: "E à sua família também, que deve estar sofrendo."Além da amabilidade com os réus, Sandra tratou com polidez integrantes do Ministério Público e advogados. Convidou todos para almoçarem junto com ela e chegou a ceder o seu banheiro particular para Herilda Balbuíno de Sousa, que é assistente do promotor Maurício Miranda. "Lá tem tudo o que você pode precisar", afirmou a juíza.O advogado Heraldo Paupério, que defende Antônio Novely, pôde fumar dezenas de vezes no plenário, apesar da proibição de fumar em recintos fechados, segundo seguranças do tribunal. Posteriormente, com a voz já cansada, ganhou uma bala do advogado, mas pediu que ele fumasse em outro lugar.Aparentemente à vontade na principal cadeira do Tribunal do Júri, Sandra estava incomodada com a insistência de algumas pessoas em deixarem seus celulares ligados e com o calor que fazia no plenário. "Parece uma sauna", reclamou. Para vencer o calor, funcionários do tribunal providenciaram um ventilador. Para inibir as comunicações telefônicas que, segundo Sandra, atrapalhavam sua concentração, cartazes foram colocados próximos ao local onde estava a juíza. Além disso, seguranças advertiam quem teimasse em falar ao celular dentro do plenário.Os freqüentes sorrisos da juíza ganharam força quando ela relatava o pedido da acusação para que se afastasse do caso. Ela não segurou o riso quando teve de ler uma decisão de seu próprio marido, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, favorável à tese dos promotores, citada com o objetivo de convencê-la a deixar o caso. Apesar da forma informal que está conduzindo o júri, servidores do Tribunal de Justiça do Distrito Federal confirmam que em todas as sessões seu comportamento é o mesmo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.