Juiz vai apresentar aos jurados arma do crime de PC Farias

Maurício Breda nega que revólver tenha desaparecido ou sido destruído

Carlos Nealdo - especial para O Estado

10 de maio de 2013 | 11h40

MACEIÓ - A arma usada na morte de Paulo César Farias e da namorada dele, Suzana Marcolino, será mostrada nesta sexta-feira, 10, durante julgamento dos quatro policiais militares acusados na participação do crime. A informação é do juiz Maurício Brêda, que preside o Tribunal do Júri. Brêda negou que a arma tenha sido destruída ou desaparecido. "Ela chegará aqui - no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, onde acontece o julgamento - hoje", ressaltou.

 

Suzana Marcolino comprou a arma - um revólver Rossi calibre 38 - alguns dias antes de morrer, no dia 23 de junho de 1996. A negociação foi feita com a empresária Mônica Aparecida Calheiros, que ganhou o revólver do marido e recebeu R$ 350 pela transação - valor pago em cheque. Antes de efetuar a compra, Suzana pediu para testá-la. Em depoimento prestado no segundo dia de julgamento, a prima de Suzana, Zélia Maciel, disse que ela chegou a praticar tiro num sítio próximo onde morava, na periferia de Maceió.

 

O promotor de Justiça, Marcos Mousinho - que representa o Ministério Público Estadual na acusação dos policiais - diz que Suzana Marcolino comprou a arma por saber que era seguida. O próprio Paulo César Farias contratou um detetive para segui-la, afirmou Mousinho. "Paulo César Farias mandava, inclusive, os seguranças segui-las", ressaltou, relembrando o depoimento de Reinaldo Correia de Lima Filho, um dos acusados ouvidos na quinta-feira, 9. "O doutor Paulo me mandava saber por onde andava a dona Suzana", confessou o policial.

 

O juiz acredita que o julgamento termine nesta sexta. Em caso de condenação, a pena dos réus varia entre 12 e 30 anos para cada crime.

 

O crime. PC Farias e Suzana Marcolino foram encontrados mortos a tiros no dia 23 de junho de 1996, na casa de praia do empresário, em Guaxuma, no litoral Norte de Alagoas. A tese sustentada pela defesa é a mesma da polícia alagoana, de que Suzana matou PC Farias e depois cometeu suicídio.

 

Já o Ministério Público acredita em duplo homicídio e acusa os quatro réus de coautoria do crime e omissão, já que faziam a segurança do local onde o casal morreu. Para a promotoria, a morte de PC Farias foi "queima de arquivo". O empresário foi tesoureiro da campanha de Fernando Collor (PTB), era réu em processos por crimes financeiros e foi o centro das denúncias de corrupção que resultaram no impeachment de Collor.

 

 

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