Juiz suíço promete informações sobre Maluf

Pela primeira vez desde que as investigações sobre o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) começaram na Suíça, o encarregado do caso, juiz Claude Wenger, garante que irá fornecer à Justiça brasileira dados sobre as movimentações bancárias realizadas pelo ex-prefeito e por seus familiares enquanto Maluf manteve uma conta no Citibank de Genebra, entre 1985 e 1997. Em entrevista ao Estado, o juiz afirma que irá pessoalmente enviar todos os dados sobre Maluf às autoridades brasileiras. "Nosso interesse é de que o caso seja solucionado", afirmou Wenger, que possui um dossiê completo sobre Maluf. Para que isso ocorra, porém, os suíços aguardam que o Ministério Público brasileiro forneça documentos que possam legalizar uma cooperação judicial entre os dois países. "O Brasil pode ter a certeza de que enviaremos os dados imediatamente após o recebimento dos documentos por parte da Justiça brasileira", afirma Wenger, que se recusa a comentar o conteúdo do dossiê sobre Maluf. Apesar do ex-prefeito negar que tenha mantido uma conta na Suíça, o procurador-geral de Genebra, Bernand Bertossa, confirmou ao Estado, em janeiro, que Maluf manteve conta na Suíça e que existe uma investigação contra o ex-prefeito. "Identificamos operações financeiras suspeitas envolvendo Maluf)", revelou o procurador-geral. "Mas esse dinheiro já foi transferido para outra praça financeira", completou Bertossa. Depois de passar por Genebra, os ativos de Maluf teriam sido transferidos para a Ilha de Jersey, o que também gerou a desconfiança das autoridades suíças. Na época, o procurador Jean Crochet foi escolhido para ficar responsável pelo caso. Com a saída de Crochet do Ministério Público de Genebra, no final do ano passado, as investigações passaram a ser de responsabilidade de Wenger. Segundo o juiz, o que está impossibilitando que a Suíça envie o dossiê sobre Maluf é a existência de duas cartas rogatórias mandadas pelo Brasil, uma do Ministério Público Federal e outra do promotor de Justiça da Cidadania de São Paulo, Silvio Antonio Marques. "Precisamos ter um só interlocutor no Brasil", explica Wenger.

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